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Renan Ferreirinha defende ‘maioridade digital’ e diz que escola disputa jovens com o crime organizado

O candidato a deputado federal Renan Ferreirinha (PSD), ex-secretário municipal de Educação do Rio, defendeu a criação de uma espécie de “maioridade digital” no Brasil, com a proibição do acesso às redes sociais por menores de 16 anos. A proposta foi apresentada durante entrevista ao DIÁRIO DO RIO, na qual ele também abordou a restrição ao uso de celulares nas escolas, os desafios da educação pública e a disputa pelo Governo do Estado.

Para Ferreirinha, as plataformas digitais têm responsabilidade sobre o aumento da ansiedade, do isolamento, do cyberbullying e da exposição precoce de crianças e adolescentes a conteúdos impróprios. O candidato argumentou que a regulamentação das redes sociais deveria seguir um caminho semelhante ao adotado contra a indústria do tabaco.

O uso do celular nas escolas criou uma epidemia de distrações — afirmou.

Ferreirinha defende um projeto que impeça menores de 16 anos de manter perfis nas redes sociais. Segundo ele, a medida não impediria o acesso dos jovens à internet, mas criaria regras específicas para plataformas que utilizam algoritmos destinados a aumentar o tempo de permanência dos usuários.

Youtube video

Proibição dos celulares nas escolas

Uma das principais bandeiras apresentadas pelo candidato é a proibição dos celulares no ambiente escolar. A restrição começou a ser implementada na rede municipal do Rio durante sua passagem pela Secretaria de Educação e, posteriormente, foi levada ao debate nacional.

Ferreirinha afirmou que a retirada dos aparelhos das salas de aula e dos intervalos contribui não apenas para a melhoria do desempenho acadêmico, mas também para a retomada da convivência entre os estudantes.

Segundo ele, antes da medida, era comum encontrar alunos concentrados nos aparelhos durante os recreios, com pouca interação entre si. Com a restrição, as escolas teriam voltado a registrar mais conversas, brincadeiras e atividades coletivas.

O candidato reconheceu que os celulares podem ser utilizados como ferramentas pedagógicas em situações específicas, desde que o uso seja autorizado e orientado pelos professores. Para ele, o problema está na presença permanente do aparelho e na disputa pela atenção dos estudantes.

‘A escola compete com o crime organizado’

Ao analisar os desafios da educação pública, Ferreirinha afirmou que as escolas localizadas em áreas vulneráveis enfrentam uma disputa desigual pela permanência dos jovens.

A escola compete com o crime organizado, com o fuzil e com o trabalho infantil — declarou.

De acordo com o ex-secretário, o combate à evasão escolar exige a participação de diferentes setores do poder público, além do acompanhamento diário da frequência dos alunos. Ele defendeu a busca ativa por estudantes ausentes e a integração das unidades de ensino com projetos esportivos, culturais e sociais.

Ferreirinha também destacou a importância da alimentação oferecida nas escolas. Para ele, a merenda representa uma das principais políticas sociais do país, sobretudo para crianças em situação de vulnerabilidade.

A maior política pública de combate à subnutrição infantil no Brasil se chama merenda escolar — disse.

GETs são chamados de ‘CIEPs do século XXI’

Entre as principais realizações apresentadas por Ferreirinha estão os Ginásios Educacionais Tecnológicos, os GETs. O modelo reúne ensino em tempo integral, robótica, programação, metodologia STEAM e espaços voltados para atividades práticas.

O GET é o CIEP do século XXI — afirmou.

Segundo o candidato, a proposta busca recuperar o princípio dos Centros Integrados de Educação Pública criados durante o governo de Leonel Brizola, mas adaptando a estrutura às necessidades tecnológicas e profissionais do século XXI.

Ferreirinha defendeu a expansão do modelo para outros municípios do Estado do Rio. Ele argumentou que a escola em tempo integral precisa oferecer mais do que o aumento da permanência dos alunos nas unidades, incluindo atividades capazes de despertar o interesse dos estudantes e ampliar suas perspectivas profissionais.

O ex-secretário também citou os resultados da Olimpíada Carioca de Matemática e a participação de alunos da rede municipal em competições nacionais. Para ele, o reconhecimento público contribui para elevar a autoestima de crianças que muitas vezes não se enxergam como capazes de alcançar um bom desempenho acadêmico.

Críticas à educação estadual e à Faetec

Durante a entrevista, Ferreirinha fez críticas à gestão da educação pública estadual. Ele acusou o Governo do Rio de não tratar o setor como prioridade e afirmou que a demora na aprovação de mudanças relacionadas ao ICMS Educacional provocou a perda de recursos.

O candidato também criticou a situação da Fundação de Apoio à Escola Técnica, a Faetec. Na avaliação dele, as unidades foram sucateadas e utilizadas como espaços de indicação política.

Ferreirinha defendeu que a distribuição de recursos educacionais considere critérios de desempenho e equidade. O objetivo, segundo ele, seria premiar municípios que apresentem avanços sem prejudicar localidades que enfrentam condições sociais mais difíceis.

Para o ex-secretário, diretores de escolas do estado também precisam receber mais autonomia e apoio administrativo. Ele afirmou que os gestores gastam tempo excessivo com compras, obras e questões burocráticas, quando deveriam concentrar seus esforços no acompanhamento pedagógico.

Apoio a Eduardo Paes e críticas aos adversários

Na parte política da entrevista, Ferreirinha declarou apoio à candidatura de Eduardo Paes (PSD) ao Governo do Estado. Ele definiu o ex-prefeito como um gestor com capacidade de trabalho e visão de futuro para o Rio de Janeiro.

O candidato também criticou a administração de Cláudio Castro, especialmente na área da educação, e questionou as candidaturas de Douglas Ruas (PL) e Anthony Garotinho (Republicanos) ao Palácio Guanabara.

Ao falar sobre Douglas Ruas, Ferreirinha afirmou que o candidato do PL foi beneficiado pela força política do pai, o ex-prefeito de São Gonçalo Capitão Nelson. Já em relação a Garotinho, o candidato do PSD citou o histórico político do ex-governador para justificar sua oposição.

Ferreirinha disputa uma cadeira na Câmara dos Deputados pelo PSD. Criado em São Gonçalo, ele foi eleito deputado estadual em 2018 e comandou a Secretaria Municipal de Educação durante a gestão de Eduardo Paes. Formado em Economia e Ciência Política pela Universidade Harvard, o candidato afirmou que pretende concentrar sua atuação parlamentar nas áreas de educação e proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital.

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