
Condenado a 76 anos e 3 meses de prisão por mandar matar a vereadora Marielle Franco e o motorista Anderson Gomes, Domingos Brazão comunicou nesta sexta-feira (20) sua renúncia ao cargo de conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro. A saída ocorre menos de um mês depois da condenação definida pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal.
A sentença foi confirmada em 25 de fevereiro. Além de Domingos Brazão, também foi condenado seu irmão, Chiquinho Brazão, com a mesma pena de 76 anos e 3 meses. O julgamento ainda impôs indenização de R$ 7 milhões às famílias e previu a perda dos cargos públicos após o trânsito em julgado.
Mesmo afastado da função desde 2024, Brazão seguiu formalmente vinculado ao tribunal e continuou recebendo salário. Dados citados pela CNN Brasil mostram que, em fevereiro, sua remuneração bruta no TCE-RJ chegou a quase R$ 56 mil, somando vencimento do cargo e penduricalhos ligados a auxílios.
Depois da condenação, o ministro Alexandre de Moraes autorizou, em 9 de março, a transferência de Domingos Brazão para o sistema prisional do Rio de Janeiro. No dia 18, ele já estava em Bangu 8, no Complexo de Gericinó, após deixar o presídio federal de Porto Velho, em Rondônia.
A renúncia não tem apenas peso simbólico. Ela abre uma vaga de conselheiro no TCE-RJ num momento especialmente delicado da política fluminense. À beira de deixar o governo para disputar o Senado, Cláudio Castro pode transformar a escolha do novo conselheiro em um de seus últimos atos de poder no Palácio Guanabara.
Nos bastidores, a vaga passou a ser tratada como peça importante do xadrez estadual. Já circula há dias a hipótese de que o próprio Cláudio Castro possa mirar uma cadeira no tribunal como plano B, caso o julgamento do caso Ceperj no TSE termine com sua inelegibilidade. Não há confirmação oficial disso, mas a especulação cresceu justamente porque o governador está espremido entre a necessidade de sair para concorrer e o risco de perder o futuro eleitoral.
Com a renúncia de Domingos Brazão, a vaga deixa de ser apenas assunto administrativo e entra de vez no radar da sucessão fluminense. No Rio, cadeira em tribunal nunca é só cadeira em tribunal. É poder, blindagem e influência de longo prazo.