
O vereador carioca Rick Azevedo deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados este ano e já virou peça importante na disputa política em torno da pauta do fim da escala 6×1. Filiado ao PSOL, ele é visto como um dos nomes mais associados ao movimento que levou o tema ao centro do debate nacional e tem proximidade com a deputada federal Erika Hilton, autora da PEC 8/2025, que trata da redução da jornada de trabalho para quatro dias por semana no Brasil.
Nos bastidores, a candidatura de Rick Azevedo abriu um foco de tensão dentro do PSOL fluminense. O temor é que o vereador deixe a sigla e acabe migrando para o PT, partido do presidente Lula, que também passou a investir na defesa pública da redução da jornada e do fim da escala 6×1.
A preocupação não é gratuita. O PSOL transformou a aprovação do fim da escala 6×1 em prioridade formal do partido neste ano. Em resolução nacional divulgada em fevereiro, a legenda definiu que deve atuar com “prioridade absoluta” pela aprovação da proposta.
Ao mesmo tempo, o PT também intensificou o discurso em defesa da medida. Nos últimos dias, o partido divulgou que o governo e aliados vêm trabalhando politicamente para empurrar o debate da redução da jornada no Congresso, num movimento que, na leitura de setores do PSOL, pode acabar diluindo o protagonismo que a legenda tenta manter sobre o tema.
A disputa ocorre num momento em que a proposta ainda está em tramitação na Câmara dos Deputados. A PEC 8/2025, de Erika Hilton, foi apensada à PEC 221/2019, e o tema voltou a avançar com pedidos e aprovações de audiências públicas nas comissões da Casa nas últimas semanas.
Além da tramitação formal, a pauta também entrou de vez no conflito entre bancadas. Em registro taquigráfico da Câmara, parlamentares relataram em fevereiro que dirigentes de partidos como União Brasil e PL falavam em mobilizar suas bancadas para barrar a proposta. Isso ajuda a explicar por que o tema virou ativo político tão valioso em ano eleitoral.
Nesse cenário, Rick Azevedo aparece como nome cobiçado não só por eventual potencial eleitoral, mas pelo simbolismo. Para o PSOL, mantê-lo no partido significa preservar um rosto fortemente identificado com uma bandeira que mobilizou redes, sindicatos e parte do eleitorado urbano. Para o PT, atraí-lo seria incorporar um nome já colado a uma pauta popular e com apelo nacional.
Com informações do Congresso em Foco e do PlatôBR.