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RioCafé: uma oportunidade econômica para gerar valor, renda e desenvolvimento no Estado

Foto: Jean Beaufort l

Por Josier Vilar, Ruy Barreto Filho e Cristiana Beltrão

O Estado do Rio de Janeiro já ocupou posição de destaque na história da cafeicultura brasileira. No século XIX, lideranças empresariais como Irineu Evangelista de Souza, o Barão de Mauá — terceiro presidente da Associação Comercial do Rio de Janeiro (ACRJ) — contribuíram decisivamente para essa vocação ao impulsionar a construção da primeira ferrovia do país, destinada ao escoamento da produção cafeeira do Vale do Paraíba.

Com o passar do tempo, esse protagonismo foi perdido. Mas o mercado global de café mudou profundamente. Hoje, qualidade, origem, rastreabilidade e sustentabilidade valem mais do que escala. O sucesso já não pertence a quem produz mais, mas a quem produz melhor.

É nesse cenário que surge uma oportunidade concreta para o Rio de Janeiro: posicionar-se como referência nacional e internacional em cafés especiais.

A Região Serrana fluminense reúne condições ideais para essa estratégia. Altitude adequada, microclimas favoráveis, produção em pequena escala e maior controle de qualidade permitem a produção de cafés com identidade própria e alto valor agregado.

O desafio, porém, vai além da produção. É necessário construir uma marca forte e reconhecida. Essa marca tem nome: RioCafé.

O diferencial competitivo está na capacidade de transformar o produto em experiência, reputação e valor. Isso exige certificação de origem, padronização de qualidade, fortalecimento de marcas coletivas, integração com a gastronomia e o turismo e acesso aos mercados premium do Brasil e do exterior.

A tecnologia também será decisiva. Ferramentas digitais e inteligência artificial permitem orientar decisões agronômicas, ampliar produtividade, garantir rastreabilidade, reduzir perdas e aproximar produtores dos consumidores. A tecnologia não substitui o produtor; ela amplia sua competitividade.

Diante desse potencial, a ACRJ propõe uma agenda estruturante baseada em seis pilares: criação da marca coletiva RioCafé; certificação de origem e qualidade; estímulo ao uso de tecnologia e inteligência artificial no campo; integração da cafeicultura com o turismo e a gastronomia; ampliação do acesso a mercados premium; e apoio à agroindustrialização e à torrefação local, especialmente no Noroeste Fluminense.

O Rio de Janeiro não precisa competir em volume. Pode competir em excelência. Com estratégia, coordenação e visão de longo prazo, o RioCafé pode tornar-se uma marca global, gerando renda, fortalecendo o interior do estado e impulsionando uma nova agenda de desenvolvimento sustentável.

O momento é oportuno. Cabe ao poder público, ao setor produtivo e às instituições da sociedade transformar essa oportunidade em uma política estratégica de desenvolvimento para o Estado do Rio de Janeiro.

Josier Vilar – Presidente da ACRJ
Ruy Barreto Filho – Presidente do Conselho Superior da ACRJ
Cristiana Beltrão – Vice-Presidente da ACRJ

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