Dados do Dossiê Mulher, elaborado pelo Instituto de Segurança Pública (ISP), mostram que entre 2020 e 2025, os casos de importunação sexual aumentaram em 197% no Rio de Janeiro. As mulheres foram mais de 90% das vítimas em todo o período.
Segundo o levantamento, somente no ano passado, 2723 mulheres foram importunadas sexualmente – média de 8,2 casos por dia. O percentual chega a 91% do total.
Os casos registrados entre as mulheres, passarem de 992 em 2020, para 2.723 em 2025 – aumento de 175% no período citado.
No ano passado, a maior parte dos casos de importunação sexual atingiu vítimas com idades entre 12 e 17 anos e entre 18 e 29 anos, com base no painel de grupos vulneráveis do ISP.
Casos digitais e no transporte público
Casos de importunação sexual digital também vem aumentando. Um dos mais emblemáticos e relatados publicamente foi o da tatuadora e criadora de conteúdo, Taís Thorpe, que denunciou ter sido vítima da agressão durante uma live no Tik Tok. A agressão foi empreendida, de acordo com Thaís, por um homem que vestia o uniforme de uma pizzaria do Ceará. Ele teria feito gestos obscenos e se masturbado diante da câmera. Taís prestou depoimento na 9ª DP (Catete) na última sexta feira (24).
Segundo o g1, em 2024, uma mulher fez um registro criminal contra o amigo do seu marido, que, segundo ela, teria feito seis ligações de vídeo se masturbado na câmera. O caso está sob investigação da Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de São Gonçalo, na Região Metropolitana do Rio de Janeiro.
Também em 2024, uma atendente de uma empresa passou pela mesma situação ao atender um cliente, que, além de se masturbar na câmera, também preferia xingamentos. O agressor ligou para a vítima várias vezes.
A atendente afirmou que o abusador prometeu buscá-la naquele mesmo dia. Como se não bastasse a agressão e constrangimento, ele ainda teria descrito as roupas que ela estava usando. O inquérito, ainda segundo o g1, foi concluído e enviado à Justiça fluminense.
Outro caso, desta vez, ocorrido dentro do transporte público, foi concluído pela 43ª DP (Guaratiba) e enviado à Justiça. No ano passado, homem ejaculou na calça de uma vítima dentro do BRT Curral Falso, na estação Magarça.
Tatuadora pede que vítimas registrem crime
Ao g1, Taís Thorpe confessou estar “muito abalada”. A tatuadora relatou que procurou a Justiça após ter acesso a relatos de mulheres que não sabiam que casos de importunação sexual digital também podem ser criminalizados:
“Elas acham que a importunação sexual é só presencial. E, diante desses relatos, eu me senti na obrigação de tornar isso público para mostrar que a importunação digital também tem que ser criminalizada”, disse Taís Thorpe ao veículo.