
“A gente só quer as canetas”, disseram criminosos que roubaram uma farmácia de uma grande rede no bairro do Camorim, Zona Sudoeste da cidade do Rio, na terça-feira semana passada, 03/02. O relato, feito por funcionários, não é uma cena isolada. O caso faz parte de uma série de crimes que vêm acontecendo no Rio de Janeiro, repetindo um cenário que já é realidade estabelecida em São Paulo.
Cada vez mais, ladrões invadem farmácias no Rio de Janeiro e, prioritariamente, buscam as chamadas “canetas emagrecedoras“.
“Eles entraram armados e já foram falando das canetas, que queriam saber onde estavam. Até levaram dinheiro e outras coisas, mas estava na cara que vieram só pelas canetas mesmo“, contou uma funcionária da farmácia roubada no Camorim.
No final do último mês de janeiro, policiais civis da 15ª DP (Gávea) prenderam uma mulher integrante de um grupo criminoso especializado em roubos a farmácias em todo o estado do Rio de Janeiro. A ação ocorreu na comunidade de Manguinhos, na Zona Norte da capital, onde foram apreendidos medicamentos conhecidos como canetas emagrecedoras.
As investigações apontam que a quadrilha tinha como principal alvo esse tipo de medicamento, além de dinheiro e outros produtos de alto valor comercial. Os criminosos atuavam em diferentes regiões da cidade, com maior incidência na Zona Sul e na Barra da Tijuca.
Durante a operação, os agentes encontraram caixas vazias de medicamentos, o que indica possível revenda do material roubado, além de grande quantidade de moedas embaladas, semelhantes às utilizadas em cofres de farmácias.
Também no mês de janeiro, policiais civis da Delegacia do Consumidor (Decon) deflagraram a terceira fase da “Operação Estética Segura“, com o objetivo de combater o comércio clandestino de remédios utilizados para emagrecimento e desarticular a cadeia criminosa responsável pela venda desses produtos. Durante a ação, que ocorreu nos bairros de Campo Grande e Guaratiba, na Zona Oeste do Rio, duas pessoas foram presas em flagrante e diversos medicamentos foram apreendidos.
Em nota enviada ao DIÁRIO DO RIO, a Polícia Civil informa que “atua de forma permanente e estratégica no combate ao roubo, furto e receptação de medicamentos, incluindo as chamadas canetas emagrecedoras, que colocam em risco a saúde da população. As ações são baseadas em trabalho contínuo de inteligência, monitoramento e investigações qualificadas para identificar toda a cadeia criminosa, desde a origem até a comercialização ilegal desses produtos.
Há investigações em andamento tanto nas distritais quanto na Delegacia do Consumidor (Decon). Inclusive, a especializada, realizou, o fim de janeiro, a terceira fase da Operação Estética Segura, voltada ao desmantelamento de quadrilhas envolvidas no comércio clandestino de substâncias utilizadas de forma irregular para emagrecimento.
As investigações seguem em andamento. Vale ressaltar que a Polícia Civil atua em conjunto com a Polícia Militar, responsável pelo policiamento ostensivo, para reprimir as práticas delituosas.
Para o advogado criminalista e especialista em segurança pública, Dr. Marcos Espínola “em cenários como esse, é primordial investimento em tecnologia, monitorando as canetas através de GPS/chips ou qualquer outro dispositivo que permita o mapeamento de onde elas estão. Portanto, mais investimento em inteligência e tecnologia em detrimento da força física e violenta. Campanhas de conscientização por parte dos governos também é importante, pois nesse caso específico, estamos falando de um medicamento que, se utilizado sem acompanhamento médico, pode trazer graves consequências para o usuário“.
Em São Paulo já tem muito disso
Também em janeiro deste ano, Polícia Militar do Estado de São Paulo apreendeu cerca de R$ 800 mil em medicamentos, entre eles canetas emagrecedoras, durante uma ação na Rodovia Presidente Dutra, na altura do km 192, em Arujá, na Grande São Paulo.
No início de fevereiro, dia 03/02, dois homens apontados pela Polícia Civil de São Paulo como especialista em ataques contra farmácias para subtração de canetas emagrecedoras foram presos.
No mesmo dia, três jovens foram presos após roubarem uma farmácia em Limeira (SP). Os medicamentos levados somam R$ 48,7 mil, segundo a Polícia Militar. Foram roubados também R$ 2,6 mil em dinheiro do caixa.
A lista de medicamentos roubados apresenta 23 canetas emagrecedoras de marcas diversas. Além de 34 tipos de medicamentos de insulina (basal, intermediária, ação rápida e curta), remédios para osteoporose, dois hidratantes e quatro aneis vaginais contraceptivos.
Na última sexta-feira (06/02), uma operação da Polícia Militar de São Paulo resultou na prisão de um coronel da reserva da Aeronáutica transportando uma carga ilegal de medicamentos utilizados para emagrecimento.
O flagrante ocorreu após o suspeito tentar fugir de uma abordagem do 5º Batalhão de Ações Especiais de Polícia (Baep). Durante a vistoria no veículo, os policiais localizaram mais de 170 canetas emagrecedoras escondidas no compartimento do estepe, sob o carpete do porta-malas.
“O crime é organizado. Não podemos desdenhar de nenhuma ação que venha de seus integrantes. As facções estão sempre atentas a novas modalidade de crime que possam fomentar o seu caixa. Diante do conhecimento de toda a sociedade sobre o preço dessas canetas (produto valioso), facilmente eles perceberam ser ali uma ‘fonte de renda’ para gerar receita. Infelizmente, essa é a realidade. É assim com os cigarros, bebidas, combustíveis e tantos outros produtos”, pontua Marcos Espínola.