
Indicada ao posto pelo presidente afastado da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar (União Brasil), Roberta Barreto anunciou, nesta segunda-feira (23), que deixará a Secretaria Estadual de Educação para disputar as eleições deste ano. Ela avalia concorrer a uma vaga de deputada estadual ou federal.
A saída ocorre em meio a denúncias de irregularidades em uma das principais pastas do governo estadual e a um histórico recente de embates com servidores da rede estadual.
Roberta Barreto havia retornado de férias na última quinta-feira e, poucos dias depois, comunicou ao governador sua decisão de deixar o comando da pasta. À frente da Secretaria de Educação há três anos, ela comandava uma das áreas mais sensíveis da administração estadual, responsável por uma rede que atende a mais de 500 mil alunos.
Nos bastidores, a avaliação é que a desincompatibilização tem duplo objetivo: atender ao calendário eleitoral e preservar a imagem da gestão diante do acúmulo de críticas à condução da pasta.
Ligação com Bacellar e peso político
A nomeação de Roberta foi uma indicação direta de Rodrigo Bacellar, então presidente da Assembleia Legislativa (Alerj). O parlamentar, que se tornou o principal articulador político do governo na Casa, acabou afastado do cargo por decisão judicial sob suspeita de envolvimento com o crime organizado.
A proximidade entre a secretária e Bacellar sempre foi apontada por adversários como demonstração da influência do deputado sobre áreas estratégicas do governo. Integrantes da oposição sustentam que a Educação se transformou em espaço de disputa política e ocorrências de irregularidades.
Com o afastamento de Bacellar e o avanço das investigações, a permanência de Roberta no cargo vinha sendo considerada um fator de desgaste para Claudio Castro, pré-candidato ao Senado no pleito deste ano.