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Seminário na Câmara debate avanços do Reviver Centro e próximos passos do programa

Divulgação CMRJ

A Câmara do Rio sediou nesta terça-feira, 31 de março, o seminário “Rio em Tempo Real: o Centro em Transformação”, realizado pelo site Tempo Real em parceria com o parlamento carioca. O encontro, mediado pela jornalista Berenice Seara, reuniu vereadores, representantes do poder público e empresários da construção civil e do mercado imobiliário para discutir os avanços do Reviver Centro I e II e os próximos passos do Reviver Centro III.

Na abertura, Berenice Seara resumiu o tamanho da discussão. “O Centro do Rio deixa de ser passado para voltar a ser futuro. E a pergunta é direta: que Centro queremos construir? Revitalizar não é só ocupar, é criar vida, segurança, diversidade e desenvolvimento. O que está em jogo aqui não é apenas uma região, mas a capacidade do Rio de Janeiro de se reinventar”, afirmou.

Presidente da Comissão de Assuntos Urbanos da Câmara, o vereador Pedro Duarte lembrou que acompanha o programa desde o início, ainda em 2021, quando a região central atravessava um esvaziamento forte no auge da pandemia. Para ele, o cenário já mudou, embora o desafio siga aberto. “Quem caminha pela Cinelândia, Avenida Rio Branco ou Praça Mauá, por exemplo, já percebe uma melhora significativa”, disse.

Pedro Duarte também relembrou a origem do projeto. Segundo ele, o ponto de partida foi o grande estoque de prédios comerciais vazios no Centro e a necessidade de transformar esses espaços em uso residencial. “Foi daí que surgiram o Reviver I, em 2021, o II, em 2023, e agora debatemos o Reviver III. Precisamos olhar para frente e discutir como aperfeiçoar o programa, para fortalecê-lo e consolidar o Centro como bairro residencial, atraindo empresas e gerando emprego e renda”, afirmou.

O seminário foi dividido em dois painéis. O primeiro, “Reviver Centro 1 e 2: o futuro do Rio mora aqui”, reuniu a vereadora Tânia Bastos, o vereador Felipe Pires, o secretário municipal de Desenvolvimento Urbano, Gustavo Guerrante, e o diretor da Plano 8 Arquitetura, Fernando Costa.

No debate, um dos pontos centrais foi como revitalizar a região sem ignorar a população vulnerável que já vive no Centro. Felipe Pires chamou atenção para o crescimento da população em situação de rua. “Hoje, ela é muito expressiva no Centro do Rio, e precisamos tratar essa questão de forma clara e técnica. Precisamos de espaços menores, mais qualificados e próximos de onde essas pessoas estão, para acolhê-las melhor”, disse. Ele também defendeu albergues melhores para trabalhadores que circulam diariamente pela região e não conseguem arcar com o custo do retorno para casa. “Pensar o renascimento do Rio sem considerar a assistência social seria um erro”, completou.

Tânia Bastos destacou o peso que a ocupação residencial pode ter na economia local. Para ela, o aumento de moradores tende a puxar comércio, serviços e emprego. “Já temos a maior parte da população vindo trabalhar no Centro, mas acredito que, com o aumento da ocupação residencial, empresas, comércios e serviços também vão se expandir”, afirmou.

Pelo lado da prefeitura, Gustavo Guerrante apresentou os números do programa e disse que o Reviver ainda é jovem, mas já começou a mostrar efeitos concretos. Segundo ele, a legislação criada em 2021 previa revisão a cada dois anos justamente para permitir ajustes. “Ao longo desse período, foi possível identificar o que era crucial, como a transferência de potencial construtivo”, afirmou.

O secretário destacou ainda o ritmo de crescimento. Segundo a prefeitura, o programa já licenciou 7,5 mil unidades, número que ele comparou às cerca de 13 mil licenciadas no Porto Maravilha desde 2009. “Não podemos esquecer que, até 2021, não era permitido construir residenciais no Centro; mudamos uma lógica de mais de 50 anos”, disse. Na avaliação dele, a tendência é que morar em endereços como Avenida Almirante Barroso e Nilo Peçanha deixe de soar improvável nos próximos anos.

Fernando Costa, da Plano 8 Arquitetura, tratou o programa como a principal operação urbana consorciada hoje em andamento na cidade. Ele destacou que o Reviver não se limita à produção de moradia. “Essa OUC, ao contrário de outras, não trata apenas da construção de habitações, mas também de serviços, cultura, revitalização de calçadas e limpeza urbana. É uma ferramenta urbanística extremamente vigorosa”, afirmou. Ele também defendeu a revisão bienal como forma de corrigir rumos e melhorar a política ao longo do tempo.

No encerramento do primeiro painel, apareceram algumas prioridades para os próximos anos. Felipe Pires defendeu inclusão dos moradores históricos da região, como os do Morro da Providência. Tânia Bastos apontou acessibilidade e preservação ambiental. Gustavo Guerrante falou da necessidade de enfrentar a violência e a sensação de insegurança. Já Fernando Costa destacou a importância de atrair eventos para aproximar mais a população do Centro.

O segundo painel, “Reviver Centro 3: como avançar”, reuniu o presidente da Câmara, Carlo Caiado, o vereador Rafael Aloísio Freitas, o diretor da W3 Engenharia, Flávio Wrobel, o diretor da Sérgio Castro Imóveis, Cláudio André de Castro, e o CEO da Piimo, Marcos Saceanu.

Rafael Aloísio Freitas ressaltou o papel da Câmara no ajuste fino das propostas que chegam do Executivo. “O vereador está na linha de frente, em contato direto com a população, ouvindo e compreendendo a realidade de cada cidadão. Assim, contribuímos para que o texto final esteja o mais próximo possível da perfeição”, disse.

Carlo Caiado apontou o que considera o foco do Reviver Centro III: criar incentivos para que o comércio volte a ocupar os imóveis fechados da região. “A ideia para o Reviver Centro III é dar mais vida ao comércio, aos bares, restaurantes, escolas e supermercados da região. Há muitas lojas fechadas e imóveis com IPTU elevado. Queremos criar incentivos para que esses espaços sejam ocupados”, afirmou.

O diagnóstico do mercado imobiliário seguiu nessa linha. Cláudio André de Castro chamou atenção para o custo elevado de manter grandes lojas e para a fragmentação da propriedade em muitos imóveis do Centro. “Temos lojas de 1.500 m² perfeitas para supermercado ou academia, mas com condomínio de R$ 28 mil e IPTU de R$ 25 mil por mês. Como viabilizar?”, questionou. Ele também disse que o cuidado com o espaço público faz diferença na atração de visitantes e investidores, citando a Orla Conde e a Rua do Ouvidor como exemplos de áreas onde o movimento voltou a crescer.

Flávio Wrobel defendeu ampliar as áreas receptoras de potencial construtivo e levar esse instrumento para outras regiões da cidade. “Hoje, há concentração em bairros como Ipanema e Copacabana, mas é fundamental viabilizar esse instrumento em outras áreas, como a Tijuca, afirmou.

Do lado dos dados do mercado, Marcos Saceanu disse que o avanço dos lançamentos no Rio mostra o efeito do programa. “Se analisarmos os lançamentos e vendas no Rio entre 2023 e 2025, houve crescimento de 46%, enquanto a média nacional foi de 29%. Em um recorte de quatro anos, o Rio cresce 100%, contra 40% no país”, afirmou.

Segundo a Prefeitura do Rio, desde a criação do Reviver Centro, em 2021, já foram emitidas 71 licenças, correspondentes a 7.664 unidades residenciais e 82 não residenciais, somando 443 mil metros quadrados de área construída. Só em 2025, houve recorde de licenciamentos, com 22 licenças concedidas, 3.298 unidades e mais de 194 mil metros quadrados de área construída.

O seminário terminou com uma constatação que atravessou todos os painéis: o Centro do Rio já começou a mudar, mas a transformação ainda está longe de ser concluída. O debate agora gira menos em torno de saber se o programa deu certo e mais sobre como fazer com que essa reocupação venha acompanhada de comércio, segurança, serviços, assistência social e vida urbana de verdade.

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