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Torcedores escalam marquises e fachadas históricas no Centro durante festa do tetra do Flamengo; Paes faz apelo

A manhã de celebração rubro-negra no Centro do Rio veio acompanhada de cenas de risco e desrespeito ao patrimônio. No chamado Circuito Preta Gil, onde ocorre o desfile da comemoração do tetracampeonato da Libertadores, torcedores subiram em marquises, bancas de jornal, fachadas antigas e até postes para tentar uma visão melhor do trio elétrico e hastear bandeiras. O circuito é na rua Primeiro de Março e na Avenida Antônio Carlos, no Centro, e, embora desaconselhado pelo Iphan por margear alguns dos principais monumentos do país, foi oficializado pela Prefeitura.

O trecho inicial da festa, a Rua Primeiro de Março, concentra parte expressiva do patrimônio arquitetônico do Centro, com prédios históricos e estruturas antigas e estátuas que não foram projetadas para suportar pesos e pessoas penduradas, sem contar os danos às fachadas de Pedra que são de custosa manutenção. Muitas marquises ficaram tomadas por torcedores, gerando apreensão entre as autoridades.

Os torcedores treparam na fachada da histórica igreja setecentista da Irmandade da Santa Cruz dos Militares, agarrando as imagens portuguesas de mármore para se apoiar. O templo é tombado pelo Iphan e fica na rua Primeiro de Março, que margeia o Conjunto Tombado da Praça XV, um complexo de bens protegido pelo órgão de patrimônio. Transformaram a Travessa dos Mercadores, de frente para a Igreja de Nossa Senhora da Lapa, em um gigante mictório, nas barbas de duas viaturas da SEOP cujos funcionários estavam de papo em frente ao prédio da rua do Ouvidor, 37. Eram seis uniformizados, com crachá. Uma das viaturas tinha a placa SSA4G58 (foto).

Nas redes, o prefeito Eduardo Paes fez um alerta pedindo que a torcida deixasse as estruturas suspensas. “Queridos flamenguistas, saiam de cima das marquises e outras estruturas que não foram feitas para suportar esse peso. Celebrem com responsabilidade! Pela atenção, obrigado!”, postou.

O secretário municipal de Ordem Pública, Marcus Belchior, reforçou o recado no próprio circuito, usando o sistema de som do trio elétrico. Segundo ele, o ideal seria que o desfile só seguisse quando as marquises estivessem livres. A expectativa de público para o evento gira em torno de 500 mil pessoas.

A Prefeitura bloqueou a Rua Primeiro de Março e a Avenida Presidente Antônio Carlos e instalou 21 pontos de revista nos acessos, repetindo modelos já usados em megablocos e no réveillon de Copacabana.  O Iphan já enviou ofícios pedindo que este tipo de evento não ocorra no local. Em um ofício enviado à deputada Chris Tonietto, que havia notificado o órgão de patrimônio da caótica situação e dos riscos aos vários monumentos e edificações coloniais tombadas na região escolhida para passagem dos grandes eventos por ali, o IPHAN contextualiza a  necessidade de preservação dos imóveis históricos no centro da cidade do Rio de Janeiro durante enormes aglomerações festivas. O instituto destacou a importância de adotar medidas que garantam a salvaguarda dos bens tombados nacionais, evitando danos à sua integridade física e simbólica.

No documento, o IPHAN especifica sete bens tombados localizados na região, incluindo o Chafariz do Mestre Valentim, o conjunto arquitetônico do Arco do Teles, o Paço Imperial, o Convento do Carmo, a Igreja de Nossa Senhora do Carmo e a Igreja da Ordem Terceira de Nossa Senhora do Carmo, sem contar as Igrejas da Lapa dos Mercadores e Santa Cruz dos Militares.

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