A estreia da TrensRJ como operadora definitiva do sistema ferroviário do Rio de Janeiro começou com mudanças na estrutura financeira do grupo responsável pela concessão e com o anúncio de demissões. Nesta segunda-feira, 1º de junho, o Consórcio Nova Via Mobilidade informou que rompeu o contrato com a Planner, corretora que administrava fundos de investimento ligados ao grupo vencedor da licitação dos trens metropolitanos.
A decisão foi tomada após a divulgação de informações sobre a relação da corretora com os novos operadores do sistema, segundo a BandNews FM. A Planner é investigada por suspeita de envolvimento em operações financeiras relacionadas ao Rioprevidência e a ativos do Banco Master.
De acordo com apurações da Polícia Federal, as operações investigadas movimentaram cerca de R$ 4 bilhões. Os investigadores apuram se a corretora atuou como intermediária nas transações e se parte dos aproximadamente R$ 20 milhões pagos em taxas de corretagem teria retornado aos responsáveis por uma suposta fraude.
Consórcio busca nova gestora para fundos
Com o fim da parceria, o Consórcio Nova Via Mobilidade informou que busca uma nova instituição para administrar os fundos de investimento que dão suporte à operação da concessionária.
A mudança ocorre no primeiro dia útil após a empresa assumir oficialmente a gestão da rede ferroviária fluminense, substituindo a SuperVia, que operou o sistema por quase três décadas.
Demissões atingem maquinistas e manutenção
Além da mudança na gestão financeira, a TrensRJ comunicou internamente a demissão de cerca de 100 trabalhadores. Entre os desligados estão maquinistas e funcionários da área de manutenção, setores considerados estratégicos para a operação dos trens.
Em nota, o consórcio afirmou que os cortes representam menos de 2,5% do quadro total de empregados. A empresa sustenta que a medida faz parte de uma política para preservar a maior parte dos postos herdados da antiga concessionária, ao mesmo tempo em que busca aumentar a eficiência operacional.
Levantamento aponta ferros-velhos próximos às linhas
A nova operadora também apresentou os primeiros resultados de um diagnóstico da malha ferroviária. Segundo a TrensRJ, foram identificados 178 ferros-velhos em um raio de até dois quilômetros das linhas férreas.
As informações foram encaminhadas à Polícia Civil, que investiga furtos de cabos, trilhos e outros materiais usados no sistema ferroviário. A concessionária afirma que o objetivo é auxiliar as autoridades no combate a crimes que afetam a circulação dos trens.
Desde o início da operação definitiva, no sábado, 31 de maio, a empresa passou a monitorar 97 pontos críticos da malha por meio de drones. A iniciativa busca ampliar a vigilância e reduzir ocorrências de vandalismo, invasões e furtos de equipamentos.
Apesar das mudanças administrativas e operacionais, a TrensRJ informou que os passageiros não terão alterações imediatas no serviço. Neste primeiro momento, permanecem os horários, itinerários e estações atendidas pela rede ferroviária do estado.