
O futuro político do governador Cláudio Castro volta ao centro da disputa judicial nesta terça-feira (10), quando o Tribunal Superior Eleitoral retoma o julgamento das ações que podem levar à cassação do mandato dele no Rio de Janeiro.
O caso trata de suposto abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. No centro da controvérsia estão contratações e repasses ligados à Fundação Ceperj e à Uerj, que, segundo as acusações, teriam sido usados de forma irregular durante a campanha de reeleição.
A análise havia sido interrompida em novembro de 2025, após pedido de vista do ministro Antonio Carlos Ferreira. Agora, o processo volta à pauta com expectativa de desfecho num caso que ameaça mexer no xadrez político fluminense em pleno ano eleitoral.
Até agora, há um voto pela cassação. A relatora, ministra Isabel Gallotti, defendeu a perda do mandato de Cláudio Castro e também de Rodrigo Bacellar, além da inelegibilidade dos dois. No voto, ela também se posicionou pela realização de novas eleições para o governo do estado.
Segundo o TSE, a ministra entendeu que houve um esquema estruturado de uso da máquina pública estadual com impacto sobre o equilíbrio da disputa eleitoral. No julgamento iniciado em novembro, ela apontou “um elaborado esquema de uso da estrutura administrativa estadual e de seus recursos”, afirmou Isabel Gallotti.
As ações foram apresentadas pelo Ministério Público Eleitoral e pela coligação que apoiou Marcelo Freixo em 2022. A acusação sustenta que houve vantagem eleitoral com contratações temporárias sem amparo legal e com a descentralização de recursos públicos para estruturas que, na prática, teriam servido a interesses políticos.
De acordo com o que foi levado ao processo, cerca de 27,6 mil contratações teriam sido viabilizadas nesse contexto, com gasto estimado em R$ 248 milhões. A suspeita é que parte dessa engrenagem tenha funcionado como base de apoio eleitoral para o grupo político de Cláudio Castro.
Além do governador, o caso também atinge nomes de peso da política fluminense. Entre os citados estão o ex-vice-governador Thiago Pampolha, o presidente afastado da Alerj, Rodrigo Bacellar, além de outros aliados e ex-integrantes da estrutura estadual.
A defesa de Cláudio Castro rejeita as acusações. Os advogados afirmam que o governador apenas sancionou a legislação aprovada pela Assembleia Legislativa e editou decreto para regulamentar a atuação da Ceperj, sem responsabilidade direta por eventuais irregularidades na execução dos programas.
Antes da retomada, o advogado Fernando Neves, que representa o governador, sustentou essa linha no tribunal. A defesa também lembra que Cláudio Castro foi absolvido pelo TRE-RJ, decisão agora contestada no TSE.
O peso político do julgamento é evidente. Se a Corte formar maioria pela cassação ainda no primeiro semestre, o estado poderá ser levado a uma nova eleição direta para governador. Se houver outro tipo de desfecho institucional, como renúncia antes da decisão final, o cenário muda e pode abrir caminho para escolha indireta, feita pela Alerj.
Nos bastidores, aliados de Cláudio Castro já discutem saídas para preservar o espaço político do governador em 2026. Uma das hipóteses em análise é a tentativa de disputar uma vaga ao Senado, mesmo diante do risco de inelegibilidade, apostando em decisões liminares que mantenham a candidatura de pé enquanto recursos seguem em tramitação.
O julgamento desta terça, portanto, não trata apenas do passado eleitoral de 2022. Ele pode redefinir a sucessão no Palácio Guanabara, embaralhar os planos de grupos que já se movimentam para 2026 e abrir uma nova crise política no estado.
Com informações do Agenda do Poder.