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Um mês após troca na Subprefeitura da Zona Sul, Angelito promete ‘ordenamento rigoroso’ e diz que ‘a regra vale para todos’

Pedro Angelito completa um mês à frente da Subprefeitura da Zona Sul — Foto: Divulgação

Assumir o comando administrativo de uma das regiões mais conhecidas do país aos 26 anos não é tarefa trivial. No caso do advogado Pedro Angelito, o desafio veio acompanhado de um território que mistura contrastes sociais, pressão turística permanente e algumas das áreas urbanas mais valorizadas do Brasil. Há pouco mais de um mês à frente da Subprefeitura da Zona Sul do Rio, o novo titular tenta mostrar que juventude não é sinônimo de improviso, mas pode representar energia para enfrentar problemas antigos.

A região sob sua responsabilidade é pequena apenas no mapa. Em extensão territorial, representa menos de 10% do município, mas concentra uma densidade urbana e simbólica que vai além das fronteiras geográficas, reunindo 17 bairros e cerca de 650 mil moradores, além de abrigar alguns dos metros quadrados mais caros do país e a maior comunidade da América Latina, agora liderando levantamentos recentes sobre ocupação em encostas íngremes no Rio. É também uma vitrine internacional do município e, para muitos turistas estrangeiros, a primeira imagem do Brasil. Ali estão cartões-postais mundialmente conhecidos, uma vida cultural intensa e um histórico de transformações urbanas que ajudaram a moldar o imaginário nacional sobre a vida à beira-mar.

Nomeação do advogado

A nomeação de Pedro Angelito foi publicada no fim de janeiro pelo prefeito Eduardo Paes. O advogado assumiu o cargo após a saída polêmica do então subprefeito Bernardo Rubião, que foi exonerado “a pedido”, conforme registro no Diário Oficial do município. A mudança ocorreu em meio a manifestações de moradores da região, que chegaram a organizar abaixo-assinados cobrando respostas mais efetivas da gestão para questões como problemas de trânsito e o aumento da população em situação de rua, principalmente, em Copacabana. Agora, o novo subprefeito afirma que pretende focar menos na personalização do cargo e mais na institucionalização das ações da Subprefeitura.

Formado em Direito pela FGV, Angelito tem passagem por escritórios como Otto Lobo e Mattos Filho, onde atuou nas áreas tributária e societária. Antes da nomeação, chefiava o núcleo de Produção Legislativa no gabinete do vereador Flávio Valle (PSD), amigo que indicou seu nome ao cargo com apoio do deputado federal Pedro Paulo. Valle, aliás, já conhece bem a função. O parlamentar ocupou a Sub durante o terceiro mandato de Paes.

Logo na chegada, Angelito encontrou um calendário exigente. O primeiro mês de gestão coincidiu com episódios climáticos intensos e ocorrências urbanas que exigiram respostas rápidas da prefeitura, testando a capacidade de articulação da nova equipe.

Subprefeito acompanha ocorrência após queda de andaime em Copacabana — Foto: Divulgação

Estreia em ritmo de emergência

Nas primeiras semanas à frente da Subprefeitura, a prioridade foi estruturar respostas rápidas a ocorrências que exigiram mobilização de diferentes órgãos municipais. Entre os episódios acompanhados de perto estiveram o incêndio em Copacabana e deslizamentos registrados na Avenida Niemeyer e na comunidade Santa Marta. Segundo Pedro Angelito, a Subprefeitura precisa funcionar como uma ponte entre os problemas que surgem nas ruas e a máquina municipal, acionando rapidamente equipes responsáveis por cada área para reduzir o tempo de resposta a emergências e demandas do dia a dia.

Apesar desse início marcado por situações críticas, o subprefeito afirma que a principal marca da gestão será o ordenamento urbano. A Subprefeitura já iniciou rotas diárias de fiscalização em parceria com a Secretaria de Ordem Pública e a Guarda Municipal para coibir ocupações irregulares e comércio sem licença, além de atuar em questões como uso indevido de calçadas e organização do espaço público. Segundo ele, as ações não devem se limitar aos bairros mais valorizados e também alcançarão comunidades da região, com intervenções de limpeza, iluminação e fiscalização. Angelito afirma ainda que pretende reforçar o diálogo com associações de moradores e lideranças comunitárias, organizar demandas por meio das Gerências Executivas Locais e integrar essas solicitações a projetos maiores, como os investimentos previstos para a Rocinha dentro do novo PAC.

Primeiro mês no cargo e perspectivas da nova gestão

Para entender como foi o primeiro mês à frente da Subprefeitura da Zona Sul e quais serão os próximos passos da nova gestão, o DIÁRIO DO RIO conversou com Pedro Angelito. Na entrevista a seguir, ele faz um balanço inicial do trabalho no território e fala sobre os desafios de administrar uma das regiões mais complexas e visíveis do Rio. A conversa foi estruturada em formato de ping-pong, reunindo perguntas sobre o início da gestão, prioridades administrativas e a relação com moradores, comerciantes e lideranças locais.

DIÁRIO DO RIO: Você assumiu a Subprefeitura em um momento de grandes desafios climáticos e ocorrências graves. Como tem sido esse início de gestão “no fogo cruzado” das emergências?

Chegamos com a missão clara de garantir a presença do município onde o problema acontece. Nestas primeiras semanas, priorizamos o acompanhamento direto de episódios como o incêndio em Copacabana, os deslizamentos na Avenida Niemeyer e na comunidade do Santa Marta. O foco inicial da nossa nomeação foi estabelecer um fluxo de resposta imediata: a Subprefeitura precisa ser o primeiro braço da prefeitura a chegar, acionando a Defesa Civil, a conservação ou a assistência social para que a normalidade seja restabelecida o quanto antes.


DIÁRIO DO RIO: Além de gerenciar crises, qual é a marca que a nova gestão pretende imprimir no dia a dia da Zona Sul?

A nossa marca será a gestão de proximidade e o ordenamento rigoroso. Já iniciamos rotas diárias de fiscalização com a SEOP e a Guarda Municipal, desmobilizando ocupações irregulares e combatendo o comércio sem licença. Queremos que o morador sinta que a Subprefeitura está atenta aos detalhes da zeladoria — da poda de árvore à iluminação — e que existe um planejamento estratégico para o território, e não apenas ações isoladas.


DIÁRIO DO RIO: Como você está está articulando a chegada de novos investimentos, como os previstos para a Rocinha, com as demandas urgentes dos bairros?

O planejamento precisa ser integrado. Mês passado, acompanhamos o detalhamento do PAC Rocinha, um investimento de R$ 350 milhões que mudará a cara da região. Mas, ao mesmo tempo, estamos sentando com a Secretaria de Esportes e a SMAS para levar projetos para a orla e praças. Meu papel como subprefeito nomeado para este território é ser o facilitador para que esses grandes projetos e os pequenos reparos caminhem juntos, ouvindo sempre as lideranças comunitárias e associações de moradores.


DIÁRIO DO RIO: A nova gestão tem falado em proximidade. Como esse diálogo com a população está sendo estruturado na prática?

Estamos realizando reuniões com associações de moradores e lideranças comunitárias para abrir esse canal de diálogo e tornar a troca mais frequente daqui em diante. A integração com as Gerências Executivas Locais (GELs) tem sido importante para organizar as demandas por território e dar mais agilidade às respostas. A proposta é consolidar essa escuta como prática permanente da gestão.


DIÁRIO DO RIO: Você assume a subprefeitura da Zona Sul com 26 anos e vindo de uma atuação mais legislativa. Como pretende provar, na prática, que tem preparo para lidar com uma das regiões mais complexas do Rio?

Com resultados. Vamos mostrar preparo com ordenamento urbano, fiscalização permanente e coordenação eficiente das equipes. A juventude traz energia para enfrentar problemas antigos com soluções novas.


DIÁRIO DO RIO: Ser indicado por um político (vereador Flávio Valle) para exercer um cargo de ponta, de contato direto com a população, ajuda ou atrapalha?

Recebi o convite do prefeito Eduardo Paes e do vice-prefeito Eduardo Cavaliere e vou fazer o melhor para a cidade. O Bernardo Rubião contribuiu e cumpriu seu papel. É claro, que não está tudo perfeito, mas precisamos continuar avançando. Terei uma grande responsabilidade para atender as demandas da população. Sobre o Flavio, ele é um excelente vereador, eleito por grande parte dos moradores da Zona Sul. Tenho orgulho de ter trabalhado com ele.


DIÁRIO DO RIO: Como pretende lidar com a falta de experiência em uma função em que qualquer crise envolvendo o público atendido pode gerar desgaste político para o prefeito Eduardo Paes, pré-candidato ao governo do estado?
Com técnica e diálogo. Experiência se constrói na prática. Minha missão será entregar eficiência e proximidade com os moradores.


DIÁRIO DO RIO: Apesar de representar apenas 10% do Rio, a Zona Sul é a principal região turística da cidade. Alguns chegam a dizer que é a porta de entrada no Brasil dos turistas estrangeiros. Quais serão suas prioridades neste setor?
Ordenamento. O turista e o morador precisam encontrar uma cidade organizada, com calçadas livres, espaços públicos bem cuidados e sensação de segurança. Turistas e moradores precisam conviver de forma harmônica no Rio de Janeiro, que amam. Vamos unir forças de todos os serviços públicos da Prefeitura do Rio para melhorar cada vez mais todos os bairros.


DIÁRIO DO RIO: Alguma estratégia para atuação de ordenamento urbano e melhorias nas entradas e, até mesmo, no interior das favelas da Zona Sul, onde moram boa parte dos 650 mil habitantes da região?
Inclusive, esse ordenamento também será levado para dentro das comunidades, com ações de limpeza, iluminação e fiscalização. O objetivo é integrar e valorizar todas as áreas da Zona Sul.


DIÁRIO DO RIO: Quanto ao uso irregular das calçadas por camelôs, oficinas, lojas de comércio varejista e, até mesmo, pela Guarda Municipal e Polícia Militar, que atravessam suas viaturas nos passeios públicos estreitos, impedindo a circulação das pessoas. Vão ser tratados igualitariamente ou alguns serão privilegiados?
Todos precisam ser tratados de forma igual. A regra vale para todos. O direito de circulação dos pedestres será respeitado sem privilégios.


DIÁRIO DO RIO: A população em situação de rua e o consumo de drogas estão entre as maiores reclamações dos moradores. Qual é o limite entre assistência social e ordem pública na sua gestão?
Equilíbrio. Vamos oferecer acolhimento e assistência social, mas também garantir ordem pública. Humanização e segurança caminham juntas.


DIÁRIO DO RIO: Como será sua ação junto à essa população de rua? Você defende a prática da internação involuntária? Existem abrigos suficientes para este público?
Nosso foco é ampliar vagas em abrigos e oferecer atendimento humanizado, sem abrir mão da ordem pública.


DIÁRIO DO RIO: Seu antecessor no cargo (Bernardo Rubião) foi muito criticado pela forma incisiva que abordava as pessoas durante as operações de fiscalização, chegando, às vezes, a ser desrespeitoso, segundo alguns comerciantes e microempresários. Neste aspecto, como será seu estilo de atuação nas ruas, será Angelito Todo Ternura ou Angelito Malvadeza?
Serei o Pedro do diálogo. O objetivo é resolver problemas e construir soluções. Fiscalização firme, mas sempre com respeito.


DIÁRIO DO RIO: Se pudesse apontar, de forma respeitosa, qual foi o principal erro da gestão anterior e que você pretende evitar, qual seria?
Precisamos falar do presente e do desafio que teremos pela frente. A subprefeitura será o ponto focal da população. Vamos garantir presença permanente das equipes e boas soluções para os problemas encontrados.

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