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Você sabia? Rio tem abrigos antiaéreos ‘escondidos’ em variados locais da cidade

Garagem de prédio residencial na Zona Sul do Rio de Janeiro que, na década de 1940, era utilizada como abrigo antiaéreo – Foto: Reprodução/Internet

Quem passa em frente à tradicional Galeria Menescal, na Rua Barata Ribeiro, em Copacabana, Zona Sul do Rio de Janeiro, provavelmente não imagina que o local já acomodou um bunker, espécie de ”esconderijo” subterrâneo destinado à proteção da população contra bombardeios, ataques aéreos ou, até mesmo, desastres naturais.

Há cerca de três anos, a arquiteta Isabella Cavallero iniciou um trabalho de mapeamento desses espaços na capital fluminense, descobrindo, até o momento, mais de 40. Segundo ela, eles surgiram a partir de 1942, quando o Brasil entrou na Segunda Guerra Mundial e, devido a isso, passou a temer possíveis ataques de países rivais.

No Rio, os abrigos antiaéreos foram construídos majoritariamente em Copacabana, estando presentes, por exemplo, na Avenida Atlântica e nas ruas Aires Saldanha, Domingos Ferreira e Hilário de Gouveia. Paralelamente, há bunkers também em bairros como Centro (avenidas Mem de Sá e Rio Branco) e Flamengo (Avenida Oswaldo Cruz e Rua Senador Vergueiro).

”A gente tem a tendência de olhar mais para a superfície da cidade, mas têm muitas partes da nossa história que se escondem embaixo dos nossos pés. Foi isso que eu resolvi focar na minha pesquisa”, destacou Isabella, que organiza visitas guiadas a abrigos antiaéreos cariocas, em entrevista à emissora inglesa ”BBC”.

Na Galeria Menescal, o então bunker, considerado o maior da cidade à época, comportava quase mil pessoas, tendo mais de 30 banheiros e também uma subestação de luz, com transformadores próprios. No entanto, o espaço foi transformado em garagem em 1949, funcionando com essa finalidade desde então. Atualmente, com a presença de diversos carros, o local passa praticamente imperceptível em relação à sua função de origem.

”Infelizmente, esse espaço não tem nenhum elemento original mostrando que um dia foi um abrigo antiaéreo e que foi projetado para prevenir ataques de bomba”, lamenta Isabella.

O síndico da galeria, Klaus Scheyer Junior, porém, afirma que há intenção de reviver a história original do espaço. ”Gostaríamos de colocar um QR code na entrada da galeria para que as pessoas possam acessar as fotos e conhecer essa história, que está tendo tanta repercussão hoje”, diz.

Isabella Cavallero comandando visita guiada a uma garagem que já serviu como abrigo antiaéreo no Rio de Janeiro – Foto: Reprodução/Internet

Entrada do Brasil na guerra

A Segunda Guerra Mundial começou em 1939. Inicialmente, o Brasil, então presidido por Getúlio Vargas, teve postura de neutralidade perante o conflito, mas, em 1942, navios do país no Oceano Atlântico foram bombardeados por submarinos do ”Eixo”, aliança liderada por Alemanha, Itália e Japão.

Sendo assim, Vargas ordenou o envio de aproximadamente 25 mil soldados da Força Expedicionária Brasileira para lutar na Europa. Com isso, o país acabou abrindo precedente para, possivelmente, ser atacado em território nacional.

”Assim que o Brasil declarou guerra contra a Alemanha, havia essa ameaça constante de bombardeios nas cidades costeiras brasileiras, principalmente no Rio”, explica o jornalista e escritor Ruy Castro, especialista no assunto.

Características e bunkers ”públicos”

De acordo com Isabella Cavallero, antigamente, os abrigos antiaéreos eram utilizados como atrativos a mais para convencer as pessoas a morar nos edifícios onde eles estavam localizados, especialmente na Zona Sul do Rio.

Em meio a isso, Ruy Castro ressalta que, quando tinham um determinado número de andares, os prédios eram obrigados a ter na parte subterrânea esses esconderijos. ”Não era uma garagem, simplesmente, para você guardar carros. Era um subsolo com espaço para cozinha e banheiro, porque supunha-se que um ataque pudesse vários dias, uma semana, e essas famílias não podiam voltar para os seus apartamentos, tinham que ficar lá embaixo”, diz ele.

No entanto, os bunkers não eram exclusividade de quem possuía condições financeiras para tal. Isso porque haviam os espaços ”públicos”, como, por exemplo, o Túnel Engenheiro Marques Porto, que liga os bairros de Botafogo e Copacabana.

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