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Fila, cobrança e polêmica: fotógrafos cobram R$ 30 na Pedra do Telégrafo, sem autorização

Foto: Divulgação

Quem sobe até a famosa Pedra do Telégrafo, em Barra de Guaratiba, já sabe que o passeio vai além da trilha de 40 minutos. O visitante precisa encarar também uma fila de até quatro horas para tirar a famosa foto “de penhasco” — aquela que lota as redes sociais pela ilusão de ótica que parece colocar quem posa na beirada de um abismo. As informações são do O Globo.

Mas a espera não é o único obstáculo. No topo, um grupo de fotógrafos se estabeleceu de forma fixa e cobra R$ 30 por clique, oferecendo uma sessão que inclui várias poses e a entrega do material digital. A prática virou motivo de polêmica: segundo o Instituto Estadual do Ambiente (Inea), responsável pelo Parque Estadual da Pedra Branca (PEPB), não há qualquer autorização para a exploração comercial no local.

A cobrança, porém, já se tornou parte do roteiro. Banner plastificado, exposição de fotos, poses combinadas e até atendimento em inglês e espanhol fazem parte do “pacote”. É possível escolher desde fotos em casal, pose de ioga, ensaio solo, em grupo ou até aquele clique mais “ousado”, tudo na busca pelo ângulo perfeito.

Para muitos, quem não quer pagar acaba sendo empurrado para fora da dinâmica da fila, ficando com opções limitadas de onde e como fazer suas próprias fotos.

“O problema é que quem chega lá e não quer contratar o serviço se sente intimidado. A fila não é só pela quantidade de turistas, é também uma forma de organização que favorece os fotógrafos”, relata o historiador Nerval Salles, que estuda para ser guia de turismo e saiu indignado com a situação.

O desconforto não é isolado. João Freitas, guia há mais de dez anos e frequentador da região, denuncia: “É um espaço público, gratuito, mas virou praticamente um negócio particular. Sem fiscalização, cada um cria sua própria regra. Isso desanima quem ama a natureza e as trilhas”.

Outro guia, que preferiu não se identificar, reforça: “O aumento do turismo nas trilhas trouxe oportunidade de negócios, mas sem nenhum tipo de estrutura ou regulação. É a lei de quem grita mais alto. E a natureza, que é de todos, acaba privatizada na prática”.

A federação também alerta

A Federação de Esportes de Montanha do Rio (Feemerj) acompanha de perto a situação e, em nota, afirma: “A prestação de serviços sem autorização dentro do parque tem sido uma preocupação constante. Atividades comerciais não autorizadas comprometem tanto a gestão ambiental quanto a segurança dos visitantes”.

O lado dos fotógrafos

Procurado, um dos fotógrafos que atua no local há anos, Rafael Klein, defende a prática. “Ninguém é obrigado a fazer foto com a gente. A fila é de quem quer tirar foto na pedra. Quem quiser, espera. Quem não quiser, também. Não impedimos ninguém”, afirma.

Questionado sobre autorização, ele rebate: “Se outro grupo quiser trabalhar, que peça autorização. A gente também fez isso”. A declaração, no entanto, contraria a informação oficial do Inea, que nega categoricamente a existência de qualquer autorização para atividades comerciais no local.

O que diz o Inea e o Parque Estadual

O gestor do Parque Estadual da Pedra Branca, Anderson Ribeiro, admite que o problema é antigo e difícil de controlar. “O parque é enorme. Estamos montando um plano de ação que inclui aumento no efetivo de guarda-parques, instalação de novas placas e campanhas de orientação, especialmente aos fins de semana”, adianta.

Em nota, o Inea reforça: “Nenhuma atividade de cobrança de serviços, como fotografia, é autorizada na Pedra do Telégrafo ou em qualquer área do Parque Estadual da Pedra Branca. O espaço é público e gratuito”.

Ainda segundo o órgão, a prática pode gerar multas, apreensão de equipamentos e até prisão, com apoio da polícia ambiental.

“O que está acontecendo ali não é permitido e serão tomadas medidas imediatas para coibir a prática”, assegura o instituto.

A origem da fama e do problema

O “efeito especial” da Pedra do Telégrafo ganhou força nas redes sociais há cerca de dez anos, quando trilheiros começaram a divulgar imagens no local. O truque de perspectiva dá a impressão de que a pessoa está pendurada em um penhasco, quando na verdade há uma base de poucos metros logo abaixo da pedra.

A partir daí, a trilha, que leva cerca de 40 minutos em subida, se tornou um fenômeno turístico. Com isso, veio também o surgimento de uma economia paralela, que hoje funciona sem qualquer regulação, transformando a experiência em algo bem diferente do contato puro com a natureza que se espera de um parque estadual.

“O espaço é público, mas o que vemos é um processo de privatização informal, com cobrança, fila, organização própria e pressão sobre quem quer apenas curtir a natureza”, resume um guia da região.

Por enquanto, quem visita o local precisa se preparar não só para a trilha, mas para a espera, a negociação e, principalmente, para lidar com a falta de fiscalização que deixa o espaço livre para práticas consideradas irregulares e passíveis de punição.

O Inea promete intensificar as ações no local. Até lá, sorria. Você está na fila.

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