
A Polícia Civil deflagrou nesta quinta-feira (5) uma operação para prender quatro suspeitos de integrarem a chamada máfia do cigarro na cidade, responsável por uma série de homicídios. Entre os procurados está Adilson Oliveira Coutinho Filho, o Adilsinho, bicheiro e atual patrono da escola de samba Salgueiro, apontado como mandante da execução de Fabrício Alves Martins de Oliveira, de 33 anos, morto em outubro de 2022 em um posto de gasolina na Estrada do Mendanha, em Campo Grande.
Segundo as investigações da Delegacia de Homicídios da Capital, Fabrício foi atingido por 14 tiros de fuzil calibre 762 assim que saiu do veículo. Os assassinos usavam camisas e balaclavas falsas da Polícia Civil para facilitar a aproximação e a fuga. Mensagens interceptadas indicam que a vítima vinha sendo monitorada por cinco meses antes do crime. Dois dias após a morte, outro ex-sócio de Fabrício, Fábio Alamar Leite, foi assassinado na saída do enterro do amigo, em um crime também ligado à organização criminosa.
Além de Adilsinho, a operação mira José Ricardo Gomes Simões, que já estava preso por outros crimes; Daniel Figueiredo Maia, policial militar que se apresentou voluntariamente à polícia; e Alex de Oliveira Matos, que segue foragido. A investigação aponta que Adilsinho ordenou as mortes, José Ricardo intermediou o planejamento, Daniel coletou dados das vítimas e Alex participou da emboscada.
Segundo a polícia, os homicídios ocorreram por engano: Fabrício e Fábio haviam emprestado caminhões de sua empresa de gelo a terceiros, que seriam usados para transportar cigarros sem autorização da máfia. Apesar de afastados do comércio ilegal, eles foram confundidos com rivais da organização.
Adilsinho nega qualquer envolvimento e afirma que comprovará sua inocência. Ele já responde a outros três mandados de prisão: na Justiça Federal, por chefiar a máfia dos cigarros; e na Justiça do Rio, como mandante dos assassinatos de rivais do jogo do bicho e da morte de Fábio Alamar Leite. Investigações indicam ainda que ele pode ser responsável por outras mortes na cidade.
A operação também reforça a ligação entre os homicídios ligados à máfia do cigarro, com indícios de que as mesmas armas foram usadas em diversos assassinatos ocorridos entre 2022 e 2023, incluindo a morte de Cristiano Souza, dono de uma tabacaria e vítima do grupo criminoso.