
O governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro (PL), passou a ameaçar deixar o partido ou até mesmo desistir da candidatura ao Senado em 2026 caso não consiga emplacar um aliado de sua confiança no comando do Palácio Guanabara durante o mandato-tampão que se abre com sua eventual renúncia.
O movimento foi discutido em reunião realizada nesta segunda-feira (9), no Palácio Guanabara, com integrantes do núcleo político do governo. Castro defende que o atual chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, seja o indicado para assumir o governo entre abril e dezembro deste ano. A cúpula do PL, porém, trabalha por outro nome.
Impasse no PL opõe governador e bolsonarismo
A preferência do partido é pelo deputado estadual licenciado Douglas Ruas, atual secretário estadual das Cidades. Ruas tem o apoio do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), que o vê como um nome mais competitivo para disputar o governo em 2026, já no exercício do cargo. Além disso, Ruas é filho do prefeito Capitão Nelson, de São Gonçalo, terceiro maior colégio eleitoral do estado e onde a gestão atual tem aprovação superior à 80%.
Na avaliação de aliados do senador, a escolha garantiria ao PL um candidato com experiência eleitoral e o controle da máquina estadual, o que ampliaria suas chances no próximo pleito. Castro, por sua vez, resiste à alternativa e insiste em Miccione, seu principal articulador no governo.
Troca de partido entra no radar
Diante do impasse, Castro passou a ventilar, de forma reservada, a possibilidade de deixar o PL e migrar para uma legenda do centrão, como o PP. Segundo relatos feitos à Folha, a mudança incluiria parte do secretariado e aliados políticos mais próximos.
O governador tem prazo legal até 4 de abril para renunciar ao cargo caso queira disputar o Senado, mas avalia antecipar a decisão para iniciar desde já a pré-campanha. A indefinição sobre o sucessor provisório, porém, travou o plano.
Ameaça de desistência do Senado é usada como pressão
Aliados afirmam que Castro também passou a usar como trunfo a possibilidade de abandonar a disputa pelo Senado, o que enfraqueceria o palanque do PL no Rio. A ameaça ganhou força após sinais de que Flávio Bolsonaro e o presidente estadual da sigla, Altineu Côrtes, tendem a bater o martelo em favor de Douglas Ruas.
A decisão final deve ser tomada em uma reunião entre Castro, Flávio e Côrtes, ainda sem data definida. Nos bastidores, no entanto, a leitura é de que o governador pode sair derrotado do encontro.
Popularidade após megaoperação fortalece discurso de Castro
Desde a megaoperação policial realizada nos complexos da Penha e do Alemão, em outubro do ano passado — que resultou em 122 mortes —, Castro passou a liderar todas as pesquisas de intenção de voto para o Senado divulgadas até agora.
A avaliação de sua gestão também apresentou melhora no período, segundo levantamentos internos do governo. O governador tenta usar esses dois fatores como argumento para sustentar que tem força política suficiente para impor seu sucessor interino.
O mandato-tampão, caso Castro renuncie, terá duração aproximada de nove meses, entre abril e dezembro deste ano, e é visto como peça-chave na disputa pelo controle político do estado em 2026.