
A imprensa em geral e os meios políticos cariocas e fluminenses foram tomados, esta semana, pela notícia de que o jovem vereador Salvino Oliveira havia sido preso, acusado de envolvimento com o Comando Vermelho.
Poucos minutos após a notícia, já havia um vídeo publicado nas redes sociais do Secretário de Polícia Civil comentando o caso e, algumas horas depois, uma postagem na conta pessoal do governador reforçando a possível conexão do vereador com o crime. As postagens feitas demonstraram, nitidamente, um uso político do episódio e levantaram, junto ao prefeito e seu entorno, a suspeita de que a própria operação policial pudesse ter sido feita com fins político-eleitorais.
No final do dia, o prefeito veio a público para dizer que não compactuará com o vereador, membro de seu grupo político, caso algo grave seja provado, mas que estava profundamente preocupado com a possibilidade de uma perseguição política ter gerado a ação policial. Além disso, relembrou casos de denúncias feitas a ele em eleições passadas e que depois foram desmascaradas como falsas, e também citou os casos concretos de envolvimento de aliados do governo estadual com a mesma criminalidade.
O telejornal RJTV 2ª edição, por sua vez, questionou os policiais sobre a robustez das provas apresentadas contra o vereador e obteve uma resposta inconclusiva e uma promessa de que supostos indícios surgirão no futuro, ao invés de já terem sido fundamento necessário para a ordem de prisão.
O carioca e o fluminense que assistem aos desdobramentos possuem hoje apenas uma certeza: se houver realmente envolvimento do parlamentar com o crime organizado, trata-se de conduta pessoal grave que merece punição. Por outro lado, se o que houve foi uma operação policial politicamente orquestrada, focada nas eleições de 2026 e visando prejudicar o favoritismo do prefeito para a sucessão ao Palácio Guanabara, trata-se de uma conduta institucional gravíssima e muito mais problemática, com gosto de arbítrio e intimidação.
Por fim, resta a reflexão de que todo o debate sobre pedidos de autorização ao crime para realizar campanha eleitoral sofre de certa hipocrisia quando se trata de um estado onde um terço da população metropolitana está controlado por algum tipo de poder paralelo.