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Paes volta a atacar Castro e cobra investigação da Polícia Civil do RJ

Eduardo Paes, Hugo Leal e Cláudio Castro – Reprodução

O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes (PSD), voltou a provocar o governador Cláudio Castro (PL), depois da exoneração do advogado Victor Travancas, ex-assessor da Secretaria de Estado da Casa Civil. Em postagem na rede X, Paes disse não saber se as acusações feitas por Travancas contra o superior ao longo dos últimos anos são verdadeiras, mas afirmou que a permanência dele no cargo até agora levanta dúvidas incômodas.

“Não sei se o que esse rapaz diz há 3 anos sobre o chefe dele é verdade. Por si só, o fato de ele não ser exonerado mostra um ‘medo’ enorme do que ele possa saber e contar. Fico me perguntando se depois de tantas denúncias, antes das feitas ontem, a polícia civil do Rio já abriu algum procedimento para investigar o que ele diz. Se ele mente é crime. Se ele diz a verdade, tem muito crime”, escreveu Eduardo Paes. A publicação foi feita nesta sexta-feira, 13 de março, um dia depois da exoneração de Travancas.

A fala de Paes não veio solta. Ela se encaixa no ambiente de confronto aberto entre o prefeito e o entorno de Cláudio Castro, que já vinha tensionado desde a prisão do vereador Salvino Oliveira, aliado do prefeito. Na mesma mensagem, Paes insinuou haver tratamento desigual entre adversários e aliados dentro das estruturas do estado.

O estopim da nova crise foi a participação de Victor Travancas no podcast Pode Garotinho?, do ex-governador Anthony Garotinho. Na entrevista, o então assessor afirmou que o Palácio Guanabara seria o “gabinete do crime organizado no Rio de Janeiro”. A declaração ganhou peso extra porque partiu de alguém que ainda integrava o próprio governo.

Durante a conversa, Travancas ainda disse que já havia pedido desligamento, mas seguia no cargo. “Pedi ontem para ser exonerado, mas ninguém me exonera”, afirmou, em trecho reproduzido por diferentes veículos. A fala expôs publicamente um ruído interno que o governo preferia manter contido.

Horas depois, a exoneração foi publicada em edição extraordinária do Diário Oficial. O movimento foi lido nos bastidores como uma reação direta ao desgaste gerado pela entrevista. Travancas ocupava o cargo de assessor na Secretaria estadual da Casa Civil desde julho de 2025, após já ter passado por outros postos no segundo escalão do governo.

Em nota, o agora ex-assessor afirmou que deixou o governo por iniciativa própria e atribuiu a saída a uma “impossibilidade ética” de concordar com práticas que considera incompatíveis com os princípios da administração pública. Também reafirmou que há “graves indícios de captura institucional” no Palácio Guanabara, mantendo o tom da acusação mesmo após a exoneração.

Figura conhecida no meio político fluminense por denúncias barulhentas, ações judiciais e conflitos com governos dos quais participou, Travancas já havia criado embaraços em outras administrações. O histórico ajuda a explicar por que sua fala teve repercussão imediata, mas também por que parte do meio político trata suas acusações com cautela.

Ainda assim, o ponto levantado por Paes é politicamente forte: se as denúncias eram falsas, por que não houve reação antes? E, se havia algum indício real, por que o caso não avançou formalmente? Foi essa brecha que o prefeito explorou para recolocar Cláudio Castro na defensiva.

No centro da disputa, o episódio deixa de ser apenas mais uma polêmica de bastidor. Passa a funcionar como munição em uma guerra política que já está em curso no Rio de Janeiro, com acusações públicas, recados institucionais e um esforço crescente de cada lado para associar o adversário à degradação do estado.

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