
A saída de Cláudio Castro muda o roteiro político do Rio de Janeiro na reta final do mandato. O governador decidiu antecipar a renúncia para esta segunda-feira, 23 de março, na véspera da retomada, pelo TSE, do julgamento que analisa supostos abusos de poder político e econômico nas eleições de 2022. Hoje, o placar está em 2 a 0 pela cassação dos diplomas e pela inelegibilidade.
No centro do processo está o caso da Fundação Ceperj. Os recursos apresentados ao TSE contestam a decisão do TRE-RJ que havia rejeitado os pedidos de cassação. No voto já apresentado, a então relatora Isabel Gallotti, acompanhada pelo ministro Antonio Carlos Ferreira, sustentou que houve abuso de poder e defendeu a cassação de Cláudio Castro, do ex-vice Thiago Pampolha e de outros envolvidos.
A movimentação de Castro tem cálculo político e jurídico. A avaliação publicada pela CNN Brasil é que a renúncia pode evitar a perda forçada do cargo, mas não encerra o risco de punição eleitoral. Em outras palavras: o governador pode sair do Palácio Guanabara antes da decisão final e, ainda assim, continuar exposto à possibilidade de ser declarado inelegível.
A sucessão abre outro impasse. A Constituição do Estado do Rio prevê que, nos dois últimos anos do mandato, a escolha do substituto definitivo em caso de vacância do governador e do vice seja feita pela Alerj. O quadro ficou mais embolado porque a vice-governadoria está vaga desde a ida de Thiago Pampolha para o TCE-RJ, enquanto Rodrigo Bacellar segue afastado da presidência da Assembleia. Para completar, o ministro Luiz Fux, do STF, suspendeu os trechos da lei estadual que liberavam voto aberto e desincompatibilização em 24 horas na eleição indireta.
Na sexta-feira, 20 de março, o governo já tinha mexido no primeiro escalão. Saíram Felipe Curi, Douglas Ruas, Bernardo Rossi, Vinícius Farah, Gustavo Tutuca, Rosângela Gomes, Luiz Martins, Alexandre Isquierdo, Anderson Moraes, Bruno Dauaire e Uruan Andrade. Entraram Delmir Gouveia, Maria Gabriela Bessa, Diego Faro, Carla Nasser Monnerat, Lucas Alves, Anderson de Azevedo Coelho, Daniel Martins, Isabela Alves, Renata Sphaier de Freitas, Fábio Paravidino e Raul Fanzeres. Em nota, Cláudio Castro afirmou “fazem parte do calendário eleitoral e são naturais neste momento”. Governo do Estado do Rio de Janeiro.