
A condenação de Cláudio Castro no Tribunal Superior Eleitoral colocou mais um capítulo numa longa crise política fluminense. Por 5 votos a 2, o tribunal declarou o ex-governador inelegível por oito anos, contados a partir da eleição de 2022, o que, na prática, o tira da disputa até 2034. A decisão veio um dia depois de sua renúncia ao cargo.
Com isso, Castro passa a integrar uma sequência de governadores do Rio de Janeiro atingidos por prisão, impeachment ou condenação com efeitos eleitorais. O histórico recente do Palácio Guanabara virou, há tempos, um retrato de instabilidade que atravessa governos de perfis bem diferentes.
No recorte mais conhecido dessa trajetória, cinco ex-governadores já haviam sido presos: Moreira Franco, Anthony Garotinho, Rosinha Garotinho, Sérgio Cabral e Luiz Fernando Pezão. A própria Agência Brasil registrou, em 2019, que a prisão de Moreira Franco elevou para cinco o número de ex-governadores fluminenses detidos em poucos anos.
O caso de Anthony Garotinho voltou a ganhar peso em 2024, quando o TSE confirmou a condenação do ex-governador por corrupção eleitoral, associação criminosa, supressão de documento e coação de testemunhas no processo ligado à eleição de 2016 em Campos dos Goytacazes. A decisão manteve também a inelegibilidade.
Rosinha Garotinho, por sua vez, além de ter sido presa, foi condenada por improbidade administrativa em 2019, com suspensão dos direitos políticos por oito anos, segundo registro da Agência Brasil. Já Sérgio Cabral, preso em 2016, deixou a cadeia em 2022 após seis anos, passando a cumprir prisão domiciliar com tornozeleira eletrônica.
No caso de Pezão, o roteiro teve uma virada posterior. Ele foi preso ainda no exercício do mandato, em 2018, mas acabou absolvido em 2023 pelo TRF-2 das acusações de corrupção passiva e ativa no processo da Operação Boca de Lobo.
Antes de Castro, o último grande abalo institucional no estado havia sido o de Wilson Witzel. Em 2021, o ex-governador sofreu impeachment e ficou inelegível por cinco anos, num processo ligado a irregularidades em contratos na área da saúde.
A diferença agora é que Castro não sai do jogo apenas por desgaste político. Sai com uma condenação eleitoral pesada, ligada ao uso da máquina pública na eleição de 2022, num estado em que os ocupantes do Palácio Guanabara há muito deixaram de ser notícia só pela agenda de governo.