
A eleição do deputado Douglas Ruas (PL) para a presidência da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) abriu mais um capítulo na crise política fluminense. Escolhido em sessão extraordinária nesta quinta-feira (26), por 45 votos e em chapa única, o parlamentar passou a ocupar o posto mais estratégico da Casa neste momento e entrou na linha sucessória para governar o estado.
A votação foi realizada em ritmo acelerado e sob forte contestação. Partidos de oposição boicotaram a sessão e passaram a tratar o processo como uma manobra política para garantir o controle da Assembleia e do governo interino. Bancadas de PSD, PDT, PT, PSOL, PSB, PCdoB e MDB ficaram fora do plenário, num movimento coordenado para esvaziar a eleição e reforçar a contestação judicial.
O principal argumento desse grupo é que a eleição não respeitou o rito regimental da Casa. Entre as críticas estão a falta de tempo para articulação de uma chapa alternativa, a convocação em prazo considerado exíguo e o fato de a Alerj ainda não estar recomposta formalmente com os 70 deputados, já que o TRE-RJ marcou para 31 de março a retotalização dos votos que vai definir quem herdará a cadeira de Rodrigo Bacellar.
Na oposição, o tom subiu logo depois da votação. A deputada Marina do MST (PT) classificou o processo como uma afronta institucional. “Eu acho que esse é o momento em que todos e todas do Estado do Rio têm que estar juntos, porque nós precisamos reafirmar o papel da democracia que o Legislativo tem no nosso estado”, afirmou Marina do MST.
O líder do PSOL, Flavio Serafini, também atacou a pressa da base aliada. Para ele, a eleição teve como pano de fundo o controle do Executivo num momento de sucessão turbulenta. “Eles estão correndo para manter o controle no cofre e para manter esse conjunto de esquemas que a gente tem visto no Estado do Rio. Nós não vamos aceitar, não vamos recuar e vamos seguir lutando para defender a democracia e o Estado do Rio”, disse Flavio Serafini.
Pela mesma linha, as deputadas Dani Balbi e Lilian Bhering, do PCdoB, criticaram a forma como a sessão foi conduzida. “O que vimos foi um duro golpe na democracia da Casa e, consequentemente, contra a população do Estado do Rio. Não houve tempo hábil para debate, nem espaço para que a oposição apresentasse suas propostas e se posicionasse de forma adequada”, afirmou Dani Balbi.
A contestação já chegou ao Judiciário. O PSD entrou com mandado de segurança para tentar barrar a votação ainda antes da sessão. O partido alegou “atropelos regimentais” e sustentou que a escolha ocorreu antes da conclusão de etapas que poderiam mexer na composição do plenário. Mesmo assim, a eleição foi mantida e terminou com a vitória de Douglas Ruas. Mas o governador em exercício no Rio de Janeiro, o desembargador Ricardo Couto, estuda anular a sessão.
Com a eleição concluída, a disputa agora se desloca para o campo jurídico e político. A presidência da Alerj deixou de ser apenas um posto administrativo e virou peça central no tabuleiro da sucessão fluminense, justamente porque o ocupante do cargo passa a ter papel direto na transição do comando estadual em meio à queda de Rodrigo Bacellar, à renúncia de Cláudio Castro e à interinidade de Ricardo Couto de Castro.
Com informações d´O Globo e Tempo Real