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BioParque do Rio inicia manejo da rã-de-seropédica, espécie criticamente ameaçada

Divulgação

O BioParque do Rio iniciou uma nova etapa no projeto de conservação da rã-de-seropédica (Physalaemus soaresi), espécie criticamente ameaçada de extinção no estado do Rio de Janeiro. Desde março de 2026, indivíduos do anfíbio passaram a ser mantidos sob cuidados técnicos no Laboratório de Herpetofauna Prof. Dr. Sergio Potsch, dentro do próprio BioParque.

A espécie é restrita à Floresta Nacional Mário Xavier, em Seropédica, na Baixada Fluminense. O trabalho é considerado um marco para a conservação de anfíbios no Brasil, já que envolve protocolos inéditos de manejo, reprodução e acompanhamento sanitário em ambiente controlado.

Antes da chegada da rã-de-seropédica ao laboratório, a equipe passou mais de um ano trabalhando com a rã-signifer (Physalaemus signifer), espécie modelo não ameaçada. Ela foi usada para testar condições de temperatura, umidade, substrato, alimentação e tratamento contra a quitridiomicose, uma doença que afeta anfíbios em várias partes do mundo.

Projeto começou com espécie modelo

Ao longo de 2025, os pesquisadores conseguiram definir a configuração mais adequada dos terrários, com áreas secas e alagadas. Esse ajuste permitiu a manutenção dos animais, a reprodução da espécie modelo em laboratório e o desenvolvimento dos girinos até a fase juvenil.

O trabalho conta com orientação técnica do Laboratório de Anfíbios e Répteis da UFRJ e da Amphibian Ark, instituição que também oferece apoio financeiro ao projeto. A iniciativa recebe ainda suporte do Grupo Cataratas e integra o Plano de Ação Nacional da Herpetofauna do Sudeste, sob coordenação do RAN/ICMBio.

“Conseguir avançar da fase experimental para o manejo direto de uma espécie criticamente ameaçada representa um passo extremamente importante para a conservação da biodiversidade brasileira. Hoje já temos sinais positivos de adaptação dos indivíduos de Physalaemus soaresi, o que demonstra que os protocolos desenvolvidos estão funcionando e podem contribuir efetivamente para evitar a extinção da espécie”, afirmou Marcos Traad, diretor técnico do Grupo Cataratas.

Animais passam por monitoramento diário

Desde a chegada dos indivíduos da rã-de-seropédica, a equipe do BioParque do Rio monitora adultos recém-chegados da espécie ameaçada, além de adultos, juvenis e girinos da rã-signifer. A rotina inclui contagem, inspeção visual, manejo alimentar, controle da qualidade da água e acompanhamento sanitário.

Parte da alimentação é produzida no próprio laboratório. Entre os itens oferecidos estão colônias de moscas do gênero Drosophila e colêmbolos, usados para garantir uma dieta constante e adequada às necessidades dos anfíbios.

Segundo os pesquisadores, os indivíduos da rã-de-seropédica já apresentam sinais considerados positivos de adaptação, como uso ativo dos terrários, vocalizações espontâneas e alimentação regular.

Próxima etapa será a reprodução em laboratório

Durante o projeto, alguns desafios ajudaram a aperfeiçoar o manejo. Um deles foi a observação do comportamento de enterramento profundo como estratégia de refúgio, algo ainda não descrito na literatura científica para a espécie modelo. A descoberta levou a adaptações nos terrários para equilibrar bem-estar animal e monitoramento técnico.

Outro ponto importante foi o refinamento da dieta e dos protocolos sanitários para controle da quitridiomicose. A doença é uma das principais ameaças aos anfíbios e exige cuidados constantes em projetos de conservação.

Os próximos passos incluem a reprodução da Physalaemus soaresi em ambiente controlado e o desenvolvimento completo dos girinos até a fase juvenil. Para a equipe técnica, completar o ciclo de vida da espécie em laboratório será decisivo para formar uma população de segurança ex situ e apoiar futuras estratégias de conservação, incluindo possíveis programas de reintrodução na natureza.

Além do trabalho com a rã-de-seropédica, o BioParque do Rio mantém projetos ligados à conservação da biodiversidade, pesquisa científica e educação ambiental. Entre eles estão estudos voltados à conservação da onça-pintada, com foco em genética e reprodução, além da implantação de um banco de células de animais selvagens para ampliar ações de conservação genética de espécies ameaçadas no Brasil.

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