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O Brasil do Mayk Leão e da Virgínia é o esgoto do cérebro de influencers do nada num 2026 terrível

Não cabe a mim julgar, nada disso. Cabe apenas aqui metrificar e registrar o nível de emburrecimento da sociedade brasileira. Cada vez mais falando errado, cada vez mais analfabeta, cada vez mais sem cultura, cada vez mais superficial e manipulável. Cada vez mais desinformada. Cada vez mais desconectada do Brasil real, que fede a lixo. Esse país que habitamos, de fato, tem o pior cenário intelectual do mundo desde o advento das redes sociais. E não há nada que possamos fazer sobre isso.

Nos últimos dias, um zé-ninguém de Campo Largo, no Paraná, embarcou, clara e equivocadamente, num festival de mitomania, que começou numa inverossímil visão de um disco voador e culminou na morte de seus animais — o que, para quem chegou nesse nível de loucura, não está descartado que ele mesmo possa ter cometido esses crimes.

Depois de toda essa pajelança de mentiras e atuações charlatonas de choros de crocodilo, estão lá, ainda, como seguidores, mais de 2 milhões de pessoas, seguindo o sujeito. Sujeito que, bastou a fama repentina, nos dias seguintes à sua desesperadora busca por holofotes, viajou de avião pela primeira vez, em tons deslumbrados, e fez merchan para marcas duvidosas, surfando em seus delírios.

Mayk Leão é apenas uma das milhares de figuras patéticas que, a qualquer custo, buscam engajamento e seguidores no Instagram e no TikTok. Nessa lista, temos aí outros notórios: a Virgínia, com mais de 100 milhões de seguidores, que eu, particularmente, até hoje não sei o que ela faz; a bipolar Ana Paula Renault, que, de pessoa-problema no BBB, virou uma star nacional perto dos 10 milhões de seguidores; na política, temos Erika Hilton, que tem mais faltas do que presenças no Congresso e não consegue formular uma frase que faça sentido, acumulando perto de 5 milhões de seguidores.

Os brasileiros que seguem essas pessoas têm um vácuo gigantesco no cérebro, visto que não há ali nenhum tipo de conteúdo que enriqueça culturalmente ou intelectualmente ninguém. O acompanhamento desse nada multiplicado é alicerçado num cérebro absolutamente vazio, plugado num mundo irreal e pueril, que não entrega conhecimento.

Em pesquisas qualitativas que rodamos pelo Brasil, confirmamos, in loco, o total esvaziamento de ideias da população brasileira. A maioria não sabe nada de nada. Mas, se você perguntar quem eles seguem, listarão um monte de influencers rasos, incluindo esses acima.

A comunicação de massa, que se concentra hoje, basicamente, na internet, fez com que canais de jornalismo, como a Globo News — a despeito de seus medíocres comentaristas e âncoras —, não batessem 1% de audiência na TV. As emissoras de jornalismo, juntas, não chegam a 150 mil pessoas. Todo mundo migrou para as redes sociais, um fenômeno que, em vez de democratizar os conteúdos e atualizar as pessoas, acabou por assassinar o futuro de gerações inteiras, amplificando ignorância e desinformação.

Diante disso, não podemos esperar nas eleições de outubro mais do que um manancial de bizarrices. Milhões de brasileiros vão às urnas votar sem nenhuma motivação plausível e conhecimento de nada. A Copa do Mundo, por fim, anestesiará os eleitores até o início da campanha, quando políticos de todas as estirpes passarão por suas ruas em busca de voto, seja de que forma for.

A conversa hoje, afinal, é bem mais fácil com essa multidão de bucéfalos dominando o dia a dia das pessoas.

Porque quem segue Virgínia ou Mayk Leão — ou mesmo os influencers que temos aqui no estado do Rio que se candidatam a algum cargo proporcional — precisará apenas de uma frase qualquer minimamente crível ou de um sorriso fake para apertar o botão das urnas.

O voto está fácil, facinho.


As opiniões expressas neste artigo são de exclusiva responsabilidade do autor e não refletem, necessariamente, a posição do jornal.

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