O vereador Marcelo Diniz (PSD), fez declarações contra o ex-secretário municipal de Saúde Daniel Soranz (PSD) que irão acabar na Comissão de Ética da Câmara Municipal do Rio e na Justiça. Soranz anunciou que vai ingressar com representação no Legislativo e com processos civil e Criminal contra o vereador de seu partido. Em discurso, nesta terça-feira (09/06). Diniz chamou o ex-secretário de “vagabundo” e usou a expressão homofóbica: “bicha pão com ovo”.
“Fica evidente a agressividade e o descontrole do vereador Marcelo Diniz. Violência e homofobia não podem ser tolerados.”, ressaltou o ex-secretário na tarde desta quarta-feira.
“Não passam despercebidas a carga intimidatória das expressões ‘você está mexendo com a pessoa errada’ e ‘você entrou num guerra que não vai vencer’, reforçadas pela masculinidade que as acompanha. Conquanto a indeterminação do mal anunciado possa suscitar controvérsia quanto à tipificação penal autônoma da ameaça (artigo 147 do Código Penal), o que aqui releva é o propósito manifesto de intimidação somada à ofensa discriminatória, inscrevendo o episódio no campo da violência política.” — diz o trecho inicial da representação apresentado por Soranz.
O presidente Wernon Presley, através do perfil oficial da Associação de Moradores da Tijuquinha no Instagram, publicou que repudiava “todo o tipo de ataque preconceituoso a qualquer cidadão, principalmente Soranz, que deu e continua dando grande contribuição para nossas comunidades. Ele merece respeito”.
No plenário, na terça-feira, Diniz fez críticas à gestão da saúde e disse que faltam medicamentos e médicos em unidades da Zona Sudoeste. Citou ainda uma suposta convocação de servidores para um evento político. No final do discurso, fez ofensas ao ex-secretário:
“O secretário está convidando as pessoas da saúde para ir lá, para ir lá poder encher, fazer palanque político. Ele está garantindo para a pessoa o seguinte: quem for lá, ele vai dar uma folga. Eu vou provar, eu tenho mensagem. Então, secretário, você é um vagabundo, você tá mexendo com a pessoa errada, aqui tem homem, eu sou vereador da cidade e sou homem. Você entrou numa guerra que não vai vencer, nem a própria classe da saúde vota em você, ninguém gosta de você. Bicha pão com ovo”.
Quase no fim da sessão, Marcelo Diniz fez uma mea-culpa. Voltou ao microfone para pedir que a última frase dele fosse desconsiderada.
O que dizem os vereadores
O vereador Marcio Ribeiro, líder do PSD, através de sua assessoria, disse que “está disposto a conversar para compreender melhor a situação e buscar os entendimentos necessários. Como em qualquer questão, é importante ouvir todas das partes envolvidas para entender os fatos e avaliar da melhor forma possível quais encaminhamentos podem ser dados”.
A presidência da Casa ainda não se manifestou.
Já Marcelo Diniz divulgou a seguinte nota oficial:
“Em relação aos fatos ocorridos durante a sessão da Câmara Municipal do Rio de Janeiro realizada nesta terça-feira (09/06/2026), o vereador Marcelo Diniz esclarece que suas manifestações ocorreram no contexto de críticas à gestão da saúde pública municipal e à situação enfrentada diariamente pela população que depende dos serviços oferecidos pela rede pública.”
O pronunciamento teve como objetivo denunciar problemas recorrentes, como a falta de atendimento adequado, a demora para realização de exames e procedimentos, a escassez de medicamentos e as dificuldades enfrentadas por milhares de cidadãos que aguardam por assistência médica. Em nenhum momento houve a intenção de atacar, ofender ou discriminar qualquer pessoa ou grupo.
O vereador reconhece que, em meio à indignação diante do sofrimento da população e ao compromisso de defender os interesses dos moradores do Rio de Janeiro, algumas expressões utilizadas podem ter sido interpretadas de forma diversa daquela pretendida. Por essa razão, ainda durante a própria sessão, solicitou a retirada das expressões questionadas dos registros oficiais, reafirmando que não compactua com qualquer forma de preconceito ou discriminação.
Marcelo Diniz mantém integralmente suas críticas políticas e administrativas à condução da saúde pública municipal, exercendo o papel constitucional de fiscalização do Poder Executivo e de defesa dos interesses da população.
Por fim, o vereador reafirma seu “compromisso com o respeito a todas as pessoas, com o diálogo democrático e com a luta por uma saúde pública digna, eficiente e acessível para todos os cariocas”.