Pela primeira vez em dez anos, os trabalhadores com ensino superior da cidade do Rio de Janeiro passaram a ter rendimento médio superior ao dos profissionais da capital paulista. Dados da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico (SMDE), elaborados com base na Pnad Contínua, do IBGE, mostram que a renda média desse grupo chegou a R$ 10 mil na capital fluminense, valor 5,1% superior ao registrado em São Paulo, onde a média foi de R$ 9,5 mil. O levantamento também aponta que o desemprego entre profissionais qualificados no Rio ficou abaixo do observado na capital paulista e da média nacional.
O estudo especial “Mercado de Trabalho das Pessoas com Nível Superior no Rio” mostra uma mudança inédita na última década. Nos dois últimos trimestres analisados, a renda média dos trabalhadores com ensino superior no Rio superou a de São Paulo, revertendo um cenário que se mantinha desde 2016.
No fim daquele ano, os trabalhadores qualificados da capital fluminense recebiam, em média, o equivalente a cerca de 85% do rendimento dos paulistanos. O pior momento da série ocorreu em 2017, quando essa proporção caiu para aproximadamente 70%. Desde então, a diferença foi sendo reduzida gradualmente até que, na passagem do quarto trimestre do ano passado para o primeiro trimestre de 2026, o Rio ultrapassou São Paulo pela primeira vez.
Além de superar a capital paulista, o rendimento dos trabalhadores com ensino superior no Rio também ampliou sua vantagem em relação à média nacional. Em 2016, a renda desse grupo era 22% superior à média brasileira. Nos dois últimos trimestres analisados, essa diferença chegou a 39,5%.
Segundo o levantamento, os profissionais com ensino superior na cidade do Rio registraram rendimento médio de R$ 10 mil, enquanto a média em São Paulo foi de R$ 9,5 mil. No país, o rendimento médio dos trabalhadores com esse nível de escolaridade ficou em R$ 7,2 mil.
O desempenho também se refletiu nos indicadores de emprego. A taxa de desemprego entre trabalhadores com ensino superior no Rio foi de 3,4%, inferior à registrada em São Paulo (4,7%) e também abaixo da média nacional (3,7%).
Para o secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Osmar Lima, os números demonstram que a capital fluminense tem ampliado sua capacidade de atrair e reter profissionais qualificados.
“Os indicadores mostram que o Rio não apenas gera mais oportunidades para profissionais qualificados, como também oferece melhores condições de remuneração. A combinação de salários mais elevados e de uma taxa de desemprego inferior às do Brasil e de São Paulo reforça a competitividade da economia carioca e sua capacidade de atrair e reter mão de obra especializada”, afirmou para a colunista Míriam Leitão.
O estudo também analisou o mercado de trabalho considerando todos os níveis de escolaridade. Nesse recorte, a cidade do Rio registrou, no primeiro trimestre de 2026, a menor taxa de desemprego dos últimos dez anos, de 5,8%. Com esse resultado, a capital fluminense ficou, pela primeira vez em oito anos, abaixo da média nacional de desemprego, que foi de 6,1%. Desde o segundo trimestre de 2018, a cidade apresentava índices superiores aos do país.