Rodrigo Bacellar, ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), e o desembargador federal Macário Ramos Júdice Neto passaram à condição de réus no Supremo Tribunal Federal (STF) por suspeita de vazamento de informações de uma investigação da Polícia Federal (PF). A denúncia foi recebida por unanimidade pela Primeira Turma da Corte, em julgamento virtual encerrado nesta quarta-feira (19/08).
O placar terminou em 4 a 0. Alexandre de Moraes, relator do caso, foi acompanhado por Cristiano Zanin, Cármen Lúcia e Flávio Dino.
O processo trata da Operação Zargun, realizada em 3 de setembro de 2025 contra integrantes do Comando Vermelho. Um dos principais alvos era o ex-deputado estadual Thiego Raimundo dos Santos Silva, o TH Joias.
Para a PF, o vazamento teria permitido que TH Joias se antecipasse à chegada dos agentes e retirasse bens de sua residência. A investigação aponta que a informação teria circulado antes da ação policial e atribui a Bacellar e Macário participação no repasse.
O que diz a investigação
Na época da operação, Macário era relator das investigações no Tribunal Regional Federal da 2ª Região (TRF-2). A Polícia Federal sustenta que ele teria se encontrado com Bacellar em 2 de setembro, na véspera da ação. Mensagens encontradas no telefone do ex-presidente da Alerj foram usadas na investigação para indicar que ele teria informado a um assessor que estava jantando com o magistrado naquela data.
O processo também menciona o depoimento de Gabriel Dias de Oliveira, conhecido como “Índio do Lixão”. À PF, ele afirmou que TH Joias teria atribuído a Bacellar o aviso prévio sobre a operação. No voto que recebeu a denúncia, Moraes registrou ainda que, conforme a acusação, Bacellar teria admitido ter conversado com TH Joias sobre a ação policial em 2 de setembro, na sede da Alerj.
Defesas contestam acusação
A defesa de Macário nega que o encontro com Bacellar tenha acontecido. O advogado Patrick de Oliveira Berriel argumentou que a própria denúncia aponta que TH Joias já havia retirado seus pertences às 15h do dia 2 de setembro, antes do horário em que o suposto jantar teria ocorrido. Para a defesa, isso afastaria a possibilidade de o encontro ter sido responsável pelo aviso ao ex-deputado.
O advogado de Bacellar, Daniel Bialski, também contestou a versão apresentada pela PF. Ele sustentou que TH Joias já teria conhecimento de que era alvo da operação antes de qualquer contato com o então presidente da Alerj e questionou a forma como a investigação foi conduzida.
Situação dos envolvidos
TH Joias está preso desde setembro de 2025. O desembargador Macário Ramos Júdice Neto está detido desde dezembro do mesmo ano.
Bacellar também foi alvo de ordem de prisão quando ainda presidia a Alerj, mas acabou solto após o plenário da Casa revogar a medida. Em março, ele voltou a ser preso depois que o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) cassou seu mandato de deputado. A decisão ocorreu no mesmo julgamento que tornou inelegível o ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro.