
A Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj) discute a abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar o incêndio ocorrido no Shopping Tijuca, na Zona Norte da capital. A iniciativa é do deputado estadual Alexandre Knoploch (PL), que pretende investigar possíveis imprudências no combate ao fogo, falhas nos protocolos de segurança e na retirada de pessoas do local.
Com experiência no tema, Knoploch já presidiu a CPI do Incêndio no Ninho do Urubu, que resultou em relatório encaminhado ao Ministério Público. Morador da região, o parlamentar afirmou que deve protocolar o pedido de criação da CPI assim que terminar o recesso legislativo, com a intenção de iniciar rapidamente a oitiva de responsáveis e testemunhas.
Convocações e possíveis desdobramentos
Caso a CPI seja instalada, gestores do Shopping Tijuca poderão ser convidados a prestar esclarecimentos na Alerj. Se não comparecerem voluntariamente, poderão ser formalmente convocados. Os depoimentos e documentos reunidos devem embasar um relatório final, com possibilidade de envio a órgãos de controle, como o Ministério Público e delegacias especializadas.
Além das oitivas, o plano de trabalho prevê vistorias técnicas ao shopping, que permanece interditado, para avaliar as condições estruturais e o cumprimento das normas de prevenção e combate a incêndios. A comissão também deve solicitar laudos do Corpo de Bombeiros, registros de manutenção e os planos de evacuação do empreendimento.
O incêndio e a retirada de pessoas
O incêndio mobilizou equipes de emergência e provocou correria no interior do shopping. Clientes e funcionários precisaram deixar o prédio às pressas, em meio a fumaça que se espalhou por áreas comuns. Duas pessoas morreram, um cliente e uma brigadista. O episódio levantou questionamentos sobre a eficiência da brigada de incêndio, a sinalização de rotas de fuga e o tempo de resposta das equipes internas.
Relatos apontam que a evacuação ocorreu de forma desigual, com dúvidas sobre a orientação ao público e o funcionamento de sistemas de alarme. A interdição do local foi determinada para avaliação dos danos e das condições de segurança antes de eventual reabertura.
Histórico de alertas e críticas
Segundo Knoploch, o incêndio reacende preocupações antigas sobre a fiscalização em grandes centros comerciais. O deputado afirmou que, ainda antes da volta aos trabalhos legislativos, enviou ofícios à administração do shopping e a autoridades, solicitando informações sobre os procedimentos adotados.
Nas redes sociais, o parlamentar criticou o que classificou como possível descaso de estabelecimentos comerciais diante de riscos já apontados em investigações anteriores. Ele citou alertas feitos durante a CPI de 2022, que apurou outros incêndios e defendeu maior rigor no cumprimento das normas de segurança.
Impacto político e institucional
A eventual CPI deve ampliar a pressão sobre a administração do shopping e sobre os órgãos responsáveis pela fiscalização. Para deputados da Casa, o caso pode resultar em recomendações legislativas, ajustes em protocolos de emergência e até propostas de mudanças na legislação estadual sobre prevenção de incêndios.
Se confirmadas falhas, o episódio pode gerar responsabilizações administrativas e judiciais. A expectativa é que a comissão, caso criada, avance rapidamente para esclarecer as circunstâncias do incêndio e evitar que situações semelhantes se repitam em locais de grande circulação de público.