A Agência Nacional de Aviação Civil (ANAC) informou, neste domingo (09/08), que está em diálogo com a Prefeitura do Rio de Janeiro para estruturar uma atuação conjunta voltada à fiscalização dos voos panorâmicos na capital. A mobilização ocorre no dia seguinte à queda de um helicóptero Robinson R44 (prefixo PP-MFS) na região da Vista Chinesa, no Alto da Boa Vista, que vitimou o piloto Alessandro Rocha e três turistas colombianas da mesma família: Rocio Cubillos, Wendy Manrique e Sofia Murillo.
A iniciativa responde à cobrança direta do prefeito Eduardo Cavaliere (PSD), que formalizou um pedido por medidas urgentes de vistoria no setor, incluindo a sugestão de suspensão temporária dos passeios aéreos para uma varredura completa das operações na cidade.
Situação da aeronave e enquadramento regulatório
Apesar do acidente, a agência reguladora adiantou que a aeronave pertencente à empresa VRP (Voos Rio Panorâmicos e Serviços Aeronáuticos) cumpria os requisitos legais de documentação.
- Certificação Válida: De acordo com a ANAC, o helicóptero modelo Robinson R44 estava com a certificação regularizada e em dia.
- Categoria da Operação: A agência ressaltou que voos panorâmicos enquadram-se como Serviços Aéreos Especializados (SAE), exigindo habilitação e certificação técnica específica tanto para a frota quanto para os tripulantes.
- Acordo de Operação: A extensão da parceria entre o município e o órgão federal — para definir competências de campo e novos critérios de exigência — segue em fase de formatação.
Apuração das causas e histórico recente
As investigações do acidente estão divididas em duas frentes de atuação.
- CENIPA: O Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos atua na perícia técnica dos destroços para determinar os fatores contributivos e a causa do sinistro na área do Parque Nacional da Tijuca.
- Polícia Civil: A corporação conduz o inquérito policial focado no apuramento de eventuais responsabilidades e na apuração das circunstâncias do voo.
O caso traz de volta o debate sobre a segurança da aviação executiva e de turismo na capital fluminense, ocorrendo poucas semanas após outro choque aéreo. Em junho, uma colisão no ar entre dois helicópteros em um pátio de veículos no Recreio dos Bandeirantes deixou seis mortos e provocou um incêndio que destruiu cerca de 20 carros.