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Análise do Debate da Band: Xoxo, capenga, manco, anêmico, frágil e inconsistente

As caras e bocas de Garotinho foram o auge da noite deste domingo.

Via Substrack de Antônio Mariano

O que ficou gravado para a história como meme se tornou, também, uma verdade na noite deste domingo (9), após o 1º debate para governador do Estado do Rio de Janeiro. Como manda a tradição, a Rede Bandeirantes promoveu o evento, desta vez em parceria com o portal Tempo Real, sob mediação da jornalista Adriana Araújo.

A notável ausência de Eduardo Paes (PSD), principal concorrente do pleito eleitoral deste ano, levou, claro, a uma série de ataques que ficaram sem direito de resposta por parte do ex-prefeito carioca. Além disso, o que deveria ser uma apresentação de propostas ao eleitor fluminense pareceu mais um grande laboratório de como as candidaturas deverão se comportar nos próximos 55 dias.

Antes disso, aos bastidores!

Na calçada da Casa Firjan, em Botafogo, os apoiadores de Douglas Ruas (PL) eram notável maioria, com suas bandeiras e gritos de campanha — mesmo com a ironia de que, ao gritarem “RUAS”, ouvíssemos algo parecido com “LULA”. Em número consideravelmente menor, mas ainda marcando presença, estavam os apoiadores de William Siri (PSOL). Mesmo com a chuva que caía com vontade ao fim do debate, os militantes continuaram por lá até a saída de seus candidatos.

Siri foi o único que passou para conversar com os convidados, enquanto Douglas foi o único que entrou pela porta principal — e não pela garagem —, fazendo questão de cumprimentar seus militantes. Em berço de ouro, quem não faria o mesmo gesto?

Membros das equipes de Anthony Garotinho (Republicanos) e Douglas conversavam afavelmente antes do início do debate e durante os intervalos. Claro, muitos deles já militaram juntos e parecem pouco se incomodar com os ataques diretos de Garotinho a Douglas. Afinal, campanha é campanha, e o que importa é conquistar cada voto possível.

O traje de André Marinho (NOVO) não passou despercebido. Com uma jaqueta esportiva escura, foi o único a não utilizar o clássico paletó. Se queria transmitir uma impressão de jovialidade, acabou sendo eclipsado pela falta de preparo — mas isso é tema para outro parágrafo…

Por fim, circulou nos bastidores uma hipótese sobre a ausência de Paes. Já que Garotinho deverá ter sua candidatura impugnada pela Justiça Eleitoral, Paes não teria querido dar palanque gratuito às suas agressões. Não adiantou muita coisa, mas também Garotinho — apesar do entretenimento — já foi mais audacioso.

E, por falar nele, sem dúvida seus reacts aos debates dos demais concorrentes foram a sensação da noite. Uma pena que não tenham sido transmitidos pela emissora.

Voltando ao debate…

O primeiro bloco, recheado de críticas à falta de política de segurança pública no Estado do Rio de Janeiro — inclusive por parte de Douglas —, teve uma reedição malfadada de tiro para tudo quanto é lado. “Você é o candidato do CV” para um lado e para o outro. A criação de um “superconselho de segurança”, por parte de Marinho, parece ser a sua única proposta. Quem acompanhou outras aparições talvez já tenha percebido: parece que ele não sabe que outros temas existem.

Apesar disso, Douglas, nitidamente, fez o dever de casa e trabalhou bem seu media training nos últimos meses. Falando com voz calma, mas firme, apresentou-se ao eleitor “apenas” como filho do Capitão Nelson e de Dona Marinete, além de funcionário público — policial civil, para ser mais exato.

Por que fez questão de ignorar os últimos anos como secretário de Cidades do governador Cláudio Castro? Bom… acho que não precisa de muita explicação, se analisarmos os números de aprovação de Castro.

Douglas pareceu imprimir o que deverá ser a marca de sua campanha: propostas dirigidas ao público que mais lhe rende um calcanhar de Aquiles — como as mulheres — e fogo concentrado em Eduardo Paes, inclusive com denúncias, a cada respiro. Se vai funcionar? Por enquanto, é só o início.

Além disso, criticou a segurança pública e a educação “dos últimos anos”. Bom…

Já Garotinho, caso consiga manter sua candidatura de pé, além de, obviamente, bater o máximo que puder no líder das pesquisas, deverá mostrar tudo o que já fez em seu governo anterior — governos, no plural, se considerarmos também o mandato de sua esposa, Rosinha Garotinho, de 2003 a 2006.

Garotinho, que começou sua vida política em partidos de esquerda e criando políticas públicas assistencialistas, chegou a reservar parte de sua participação no debate para elogiar Nayib Bukele, presidente de El Salvador, e suas prisões de segurança máxima.

Siri, apesar de jovem, mostrou que entra na campanha com vontade de participar do jogo de verdade. Com erros ainda naturais de quem está começando, foi o primeiro a tratar do Estado para além da capital e a fugir do tema segurança pública ao falar do polo metalmecânico da região de Volta Redonda, terra de sua vice, Juliana Carvalho.

Por fim, Marinho foi a decepção da noite.

Completamente perdido em suas falas, iniciou sua participação no debate citando que seu pai, Paulo, é padrinho da filha de Ricardo Boechat e que, por isso, carregou o caixão do jornalista. Como conseguiu emendar esse discurso com o tal “superconselho de segurança” é algo a ser estudado pelas faculdades de Comunicação como exemplo do que NÃO repetir.

Não bastasse isso, tentou imitar Paes, de quem foi estagiário em 2016, e o tiro saiu pela culatra. Metade da plateia não entendeu; a outra metade entendeu o motivo de ele não ter dado certo como humorista.

Nas considerações finais, ainda disse “seja com Flávio, seja com Zema”, mas… Zema não deveria ser justamente o seu candidato a presidente?

A verdade é que o jogo eleitoral já começa com o tabuleiro predefinido. Apesar de a maioria dos eleitores fluminenses ainda não ter decidido seu voto, o recall de Paes e a alta rejeição a Cláudio Castro e a todo o seu grupo político deverão render, no máximo, algumas semanas a mais de campanha nas ruas em outubro.

O maior ativo de Douglas, neste momento, é sua oratória bem treinada. O segundo maior ativo — talvez — seja Flávio Bolsonaro, que, apesar de já ter prometido iniciar sua campanha presidencial no Rio, se vê enroscado em uma série de escândalos.

Paes, por outro lado, deixa uma Prefeitura bem avaliada, com dinheiro em caixa e obras entregues. O que o assombra são os fantasmas do passado.

Em 2016, mesmo com o sucesso estrondoso dos Jogos Olímpicos, não conseguiu emplacar seu sucessor sequer no segundo turno. Em 2018, com uma eleição praticamente ganha, perdeu para Wilson Witzel. E, em 2020, mesmo com Crivella sendo o prefeito mais mal avaliado da história da cidade do Rio, viu-se obrigado a disputar o segundo turno com ele.

Sua redenção veio em 2024, com a vitória no primeiro turno.

Mas gato escaldado…

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