
A sequência de ataques atribuídos ao tráfico em Cachoeiras de Macacu, na Região Serrana, chegou ao plenário da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). Nesta quinta-feira (5), o deputado estadual Bruno Boaretto (PL) cobrou reforço imediato da Polícia Militar no município após novos episódios registrados durante a madrugada.
Segundo o parlamentar, criminosos voltaram a agir contra estabelecimentos comerciais e provedores de internet, repetindo um padrão que, de acordo com relatos locais, tem se tornado mais frequente na cidade.
Boaretto disse que, ao longo da semana, o prefeito Rafael Miranda (PP), representantes do comércio e integrantes da comissão de segurança do município se reuniram com o comando da PM para apresentar denúncias e pedir apoio. Ele afirmou que o coronel Menezes assumiu o compromisso de reforçar o efetivo, mas que novos ataques ocorreram poucas horas depois.
“Cachoeiras de Macacu é uma cidade pacata, de médio porte, e não pode ficar refém de ações criminosas na madrugada que atingem em cheio o comércio e a população. Isso precisa de resposta rápida e à altura da Polícia Militar”, disse Bruno Boaretto durante a sessão.
O deputado afirmou que o gabinete formalizou novos pedidos de reforço e que também pretende levar a demanda diretamente ao governador Cláudio Castro, cobrando medidas mais duras e permanentes para conter o avanço de facções no interior.
Tráfico mira serviços essenciais
Cachoeiras de Macacu vive, desde o fim de 2025, uma série de ações atribuídas ao Comando Vermelho, segundo o texto apresentado. A pressão, ainda de acordo com o relato, vai além do tráfico de drogas e mira serviços como provedores de internet. Técnicos teriam sido ameaçados, veículos danificados e equipamentos vandalizados.
No início de janeiro, um carro de uma empresa de internet foi incendiado após funcionários se recusarem a cumprir exigências criminosas. Em Papucaia, distrito do município, moradores relatam pichações, tentativa de controle territorial e interrupções forçadas no serviço. Também há relatos de técnicos impedidos de trabalhar e coagidos a fornecer contatos de responsáveis pelas empresas.
Dados de segurança pública citados no texto apontam crescimento de cerca de 30% nas apreensões de drogas no município em 2025. Em maio do ano passado, um policial militar de folga foi morto na região, episódio citado como marco do agravamento do cenário.
Cobrança por resposta do Estado
A Polícia Militar, por meio do 35º BPM, iniciou operações como a AREP I e II para tentar conter os ataques. Ainda assim, comerciantes e moradores afirmam que as medidas não têm sido suficientes para frear a atuação das facções.
No plenário, Boaretto disse que o problema não se limita a Cachoeiras de Macacu e que episódios semelhantes já aparecem em outros municípios do interior fluminense. “O bem precisa prevalecer. A população está aflita, amedrontada, e o Estado não pode falhar em garantir segurança a quem vive e trabalha nessas cidades”, afirmou Bruno Boaretto.