Alunos do Centro Acadêmico do Instituto de Física (Cafís), da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), fazem uma paralisação nesta terça-feira (19), a partir das 15h, em protesto contra uma série de problemas enfrentados por estudantes, professores e funcionários da unidade, como casos de assédio e precarização dos serviços no restaurante universitário, greve dos técnicos-administrativos e falta de assistência estudantil, conforme informou O DIA.
Entrevista ao veículo, a coordenadora do Cafís, Waleska Rocha, de 22 anos, destacou que os estudantes estão insatisfeitos e desesperados por soluções para os problemas do campus. A manifestação seria, segundo Waleska, a última alternativa tentada pelos alunos para a discussão das pautas reivindicadas.
Entre os problemas mais graves estaria o assédio de mais de quatro alunas por um professor do Instituto de Matemática, que foi denunciado no ano passado junto à Ouvidoria da universidade e à Polícia Civil, de acordo com o Centro Acadêmico. A investigação, no entanto, estaria paralisada.
A coordenadora do Cafís relatou ao jornal que uma das alunas teria abandonado o curso diante grande repercussão do caso.Waleska Rocha contou que o episódio gerou várias manifestações no Instituto de Física, incluindo um panfletaço, colocação de cartazes com menções ao caso nos corredores e paredes do prédio:
“O professor chegou a ser afastado da turma, mas continuou dando aulas. Há cerca de um ou dois meses descobrimos que ele estava lecionando no turno da noite, o que gerou um novo protesto”, disse a estudante ao veículo, complementando que a apuração do caso não foi adiante: “Quando tentamos retomar o contato com a Ouvidoria, não obtivemos resposta. O professor entrou em investigação, mas, aparentemente, o processo foi congelado”, disse Waleska.
Os estudantes também reclamam da atuação da empresa responsável pelo restaurante universitário, onde frequentemente há falta de alimentos e atrasos no pagamento dos funcionários terceirizados – o que resultou em paralisações -, além de denúncias da presença de insetos nas refeições servidas aos alunos:
“Constantemente encontramos larvas na comida e pedaços de objetos nas refeições. Em alguns momentos, faltam talheres, e já houve casos em que estudantes precisaram usar copos para conseguir se alimentar. Isso quando há comida disponível, porque também enfrentamos períodos de desabastecimento”, disse a estudante.
Os atrasos salariais dos funcionários técnico – administrativos impactam diretamente a rotina acadêmica. Segundo o Centro Acadêmico, desde 9 de março deste ano, a biblioteca permanece fechada, estudantes perderam a matrícula, o pagamento das bolsas ficou instável e não houve o lançamento de editais para concessão de auxílios estudantis.
Como vai funcionar a paralisação
A paralisação dos alunos terá início às 7h da manhã e contará com ações descentralizadas nas unidades da UFRJ, ao longo do dia. Segundo o movimento estudantil, mais de 98 cursos aderiram à paralisação, que terá o seu ápice às 15h, quando universitários se concentrarão em frente à Reitoria, na Cidade Universitária, para um ato unificado.
O DIA procurou a reitoria da UFRJ para falar sobre as denúncias, mas não teve resposta.