A Base Exchange, controlada pelo fundo soberano Mubadala, planeja lançar uma nova bolsa de ações à vista no Brasil até o fim de 2026 ou, no mais tardar, no início de 2027. A iniciativa pretende romper o monopólio da B3, apostando em estrutura enxuta, tecnologia própria e um modelo de custos mais baixo para investidores e corretoras.
Em entrevista ao Estadão/Broadcast, o CEO da companhia, Claudio Pracownik, afirmou que a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já concluiu o período de testes e que a avaliação técnica do Banco Central deve começar após o Carnaval. Como a Base pretende operar com clearing própria, o aval do BC é etapa decisiva para a autorização final.
Segundo Pracownik, o cronograma ainda depende dos reguladores. “Meu cronograma prevê o primeiro trading no final de 2026. Se não for possível, será no início de 2027”, disse. Ele afirma que integrações tecnológicas e adesão de corretoras só podem ocorrer depois da autorização formal.
A aposta da Base é reduzir o custo total das operações, mas sem vender a ideia de guerra de preços. “Vamos ter tarifas mais justas”, afirmou o executivo. A estratégia inclui chamadas de margem mais racionais e liberação mais rápida de garantias, o que, segundo ele, reduz custos implícitos para o mercado.
Pracownik cita experiências internacionais em que a entrada de uma segunda bolsa levou a aumento de 20% a 25% no volume negociado e redução de até 30% no custo implícito das operações. Para ele, a concorrência aumenta a segurança e a liquidez, especialmente para investidores estrangeiros.
A Base pretende iniciar as operações com o mercado à vista, incluindo ações, aluguel de ativos, cotas de FIIs, ETFs e BDRs. O mercado de futuros e derivativos deve ficar para uma segunda etapa, após a bolsa já estar em funcionamento, para não atrasar o processo regulatório.
Com tecnologia em nuvem e sistemas próprios, o CEO afirma que a empresa terá custos operacionais menores. “Temos menos pessoas, menos provedores, não temos CPD próprio nem estruturas caras. Isso nos dá mais escala e eficiência”, afirmou.
O executivo também avalia que o setor pode passar por um processo de consolidação nos próximos anos. “Temos potencial para ser consolidador porque temos um acionista relevante. Se isso vai acontecer, é decisão do conselho e do controlador”, disse, sem cravar movimentos de fusão.
A Base Exchange não pretende, ao menos neste momento, operar criptoativos. Segundo Pracownik, são mercados com fundamentos e perfis distintos, embora a infraestrutura de blockchain possa ser aproveitada no futuro, especialmente em áreas como custódia e registro.
A expectativa interna é que, após o início das operações, a empresa atinja o ponto de equilíbrio em cerca de um ano ou um ano e meio. O retorno ao investidor viria em um horizonte mais longo, condicionado ao crescimento do mercado e à adesão dos participantes.
Para Pracownik, o mercado brasileiro ainda privilegia excessivamente a segurança em detrimento da inovação. “O Brasil é muito seguro, mas pouco inovador. Em crises, isso ajuda. Em momentos de crescimento, faz o país ficar para trás”, afirmou, defendendo um equilíbrio maior entre regulação, eficiência e estímulo ao mercado.