
De dentro da Penitenciária Federal de Segurança Máxima de Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, Márcio dos Santos Nepomuceno, conhecido como Marcinho VP, escreveu carta ao advogado e ex-desembargador Siro Darlan comentando a situação judicial de seu filho, o rapper Oruam. Custodiado desde 2007, VP afirmou que Oruam errou e deve responder pelos próprios atos, mas criticou acusações que considera exageradas e reiterou que confia na Justiça. O rapper responde a duas tentativas de homicídio qualificado contra policiais civis, além de crimes como resistência, desacato, ameaça e dano qualificado, e atualmente é considerado foragido após revogação de habeas corpus. Informações são do jornal O Globo.
Marcinho VP destacou que, apesar das falhas do filho, “não é justo atribuírem a ele condutas além das que foram cometidas” e disse acreditar que, se tiver juízo, Oruam sairá “maior do que entrou”. O ex-chefe do tráfico também criticou a aplicação da teoria do “domínio do fato”, usada em processos criminais para responsabilizar líderes de organizações por atos cometidos por terceiros, afirmando que a tese é distorcida no Brasil.
O detento detalhou ainda a criação dos filhos na Igreja, lembrando do cuidado com a educação e o exemplo de vida de Oruam antes do sucesso artístico, e afirmou que seu papel é orientar e acompanhar de longe, enquanto o rapper cumpre suas responsabilidades legais. Além de tratar de questões familiares, Marcinho VP relatou que mantém rotina de produção literária, já escreveu seis livros e participa da Academia Brasileira de Letras do Cárcere, ocupando a cadeira de Graciliano Ramos.
Apesar da previsão de deixar a prisão em setembro de 2026, VP permanece sob regime de isolamento prolongado e responde a processo de 2024 relacionado a roubo de carros, o que pode impedir sua saída. Todas as cartas enviadas e recebidas pelo detento passam por monitoramento dos funcionários do sistema penitenciário, procedimento que visa impedir a comunicação de ordens criminosas para fora da unidade.

Carta na íntegra de Marcinho VP ao advogado Siro Darlan:
“No que dizia respeito a meu filho Popstar, firmeza total. Como pai, lamento muito por tudo que ele está passando, porém, ele também não vigiou né? Ainda assim, tem que pagar (somente) apenas pelo que fez de verdade, e não por acusações levianas e armas portadas como estão intentando fazer com o menino. Fere os princípios da proporcionalidade e da razoabilidade a imputabilidade do direito mais gravoso do que a pessoa cometeu. Está tudo filmado, gravado! E contra os fatos não há argumentos. As imagens são claras, assim como a loz solar de qual foram as infrações que ele de forma imprudente cometeu, e também das que os agentes cometeram. Porém estou tranquilo e confiante na justiça porque sei que a longo prazo as acusações fabricadas de má fé, como uma pedra de quase cinco quilos que apareceu supervenientemente ao ocorrido não se sustentam. Depois de Deus, o tempo e o Juiz são mais perfeitos.
É de luzidia evidência jurídica que meu filho errou, e não abono sua conduta. Ele tem que pagar pelo que fez. Entretanto, não é justo, e muito menos escorreito, intentarem atribuir a ele coisas na qual ele não fez. Podem aqueles que se dizem defensores da lei, da ética e da sociedade fazer injustiça em nome da Lei? Enfim, Deus sabe de todas as coisas. Os planos de Deus para nossas vidas foram estabelecidos, principalmente na esfera espiritual, antes da fundação do mundo, e creio piamente que é um bom plano como se vê em Jeremias 29:11 “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês, diz o Senhor, planos de fazê-los prosperar e não de lhes causar danos, planos de lhe dar esperança e um futuro”(destacamos).
Todos os meus filhos cresceram na Igreja. O Mauro era um menino bom, respeitador, obediente aos pais, humilde. Todavia, é insofismável que o sucesso fez ele tirar os pés do chão um pouco e se perder. Que o cativeiro sirva de reflexão para ele se apegar de novo a Deus, como fazia quando era menino, e procurar a sua melhora. Só não aceito quererem fazer com ele o mesmo que fizeram comigo aos 20 anos de idade: imputá-lo um monte de crimes para destruí-lo. Isso não podemos admitir jamais né? Pois meu filho não é, e nunca foi nenhum bandido. Mais sim um artista com potencial ímpar, que canta, compõe e arrasta multidões. Acredito que ele, se tiver juízo, vai sair de lá maior do que entrou. Lembra de José do Egito? A história de José nos mostra que muitas vezes em nossas vidas, Satanás acha que está fazendo algo terrível para nos destruir de vez, e, no entanto, os planos de Deus são outros. Ele só finge aceitar a astúcia do inimigo para nos causar dano e arruinar-nos, mas em silêncio trabalha pelo nosso bem. Deus transforma mal em bem. Em Gênesis 50: “José diz a seus irmãos: “Vocês planejaram o mal contra mim, mas Deus o tornou em bem, para que hoje fosse preservada a vida de muitos”. Mistério profundo! Abração. Marcio”