A Bienal do Livro Rio 2025 encerrou sua 22ª edição quebrando todos os recordes e consolidando seu lugar como o maior festival de literatura, cultura e entretenimento do país. Foram mais de 740 mil pessoas circulando pelos pavilhões do Riocentro entre os dias 12 e 22 de junho, um aumento de 23% em relação a 2023. As vendas também dispararam: cerca de 6,8 milhões de livros foram levados para casa pelos visitantes, superando qualquer expectativa.
Este resultado não só reforça o título de Capital Mundial do Livro, concedido ao Rio pela UNESCO, como comprova o poder de mobilização da literatura em um país onde mais da metade da população não tem o hábito de ler, segundo dados do Instituto Pró-Livro.
O grande destaque deste ano foi o conceito inédito de Book Park, que transformou o Riocentro em um parque literário, unindo tecnologia, interatividade e experiências sensoriais que levaram os visitantes para dentro das histórias. A proposta foi pensada a partir de estudos sobre o comportamento do leitor e hábitos de consumo, mirando justamente a democratização do acesso à literatura.
O impacto foi direto no bolso dos expositores. A HarperCollins Brasil dobrou seu faturamento em relação a 2023. Globo Livros registrou crescimento de 70%, Companhia das Letras e Record tiveram aumento de cerca de 65%, enquanto Sextante e Arqueiro cresceram 60%. Intrínseca e Ediouro anotaram 45% de alta, e a Rocco, 59%.
Foram mais de 1.850 autores presentes, entre brasileiros e estrangeiros, além de uma programação extensa que somou 1.200 horas de conteúdo. O espaço total do evento cresceu para 130 mil metros quadrados, 40 mil a mais do que na edição anterior, com atividades que tomaram não só os pavilhões, mas também áreas ao ar livre.
Entre as atrações mais disputadas estavam a Biblioteca Fantástica, a roda-gigante Leitura nas Alturas, o Escape Bienal, o Labirinto de Histórias e a Praça Além da Página, onde os fãs de diferentes gêneros literários puderam se encontrar. O sucesso foi tanto que esses espaços receberam mais de 130 mil pessoas ao longo dos dez dias.
A abertura oficial contou, pela primeira vez, com uma pré-estreia chamada Bienal para Você, em parceria com o TikTok, que levou 10 mil pessoas ao Riocentro antes mesmo da abertura tradicional ao público.
O Artists Alley também se destacou, reunindo quadrinistas, ilustradores e artistas independentes, fortalecendo a cena dos quadrinhos e da arte gráfica. A programação teve espaço para debates sobre romantasia, thrillers psicológicos, afroliteratura, diversidade, feminismo, espiritualidade e até novelas, mostrando a força da bibliodiversidade presente na feira.
Os encontros internacionais foram outro ponto alto. A Bienal promoveu diálogos entre autores brasileiros e nomes de peso da literatura mundial, como a nigeriana Chimamanda Ngozi Adichie, que participou de um bate-papo com a atriz Taís Araújo. Outro momento simbólico foi o encontro entre a brasileira Conceição Evaristo, a cubana Teresa Cárdenas e a sul-africana Zukiswa Wanner, em uma conversa sobre memória e resistência que marcou a programação.
No ambiente digital, o aplicativo oficial do evento foi baixado por mais de 73 mil pessoas, que puderam personalizar suas agendas, criar listas de compras, explorar mapas interativos, receber notificações em tempo real e até montar suas próprias bibliotecas virtuais, que somaram mais de 256 mil livros registrados.
A Bienal também reforçou seu compromisso social. O tradicional programa de Visitação Escolar levou 130 mil alunos da rede pública e privada, além de professores e bibliotecários, garantindo acesso gratuito e crédito para a compra de livros. Foram investidos 16 milhões de reais em vouchers, variando entre 25 e 200 reais para alunos, e entre 100 e 1.000 reais para profissionais da educação. Pela primeira vez, a Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa também destinou verba específica para renovação de acervos de bibliotecas públicas.
Essa dimensão social foi determinante para que a UNESCO escolhesse o Rio como Capital Mundial do Livro. A Bienal tem se mostrado uma poderosa plataforma de transformação cultural, aproximando o livro da população e promovendo inclusão, diversidade e acesso à leitura em larga escala.
O sucesso de 2025 não termina com o encerramento dos portões do Riocentro. O projeto Bienal nas Escolas seguirá ativo até o fim do ano, levando autores, atividades e experiências literárias para unidades públicas da Região Metropolitana do Rio, ampliando ainda mais o impacto do festival na formação de novos leitores.

