
O presidente em exercício da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), Guilherme Delaroli (PL), deve assumir o comando do Governo do Estado pela primeira vez na próxima segunda-feira (02/02). A troca acontece porque o governador Cláudio Castro (PL) viaja nesta quarta (28/01) para a Europa e só retorna à capital fluminense no dia 08/02. As informações são da jornalista Berenice Seara, no site ”Tempo Real”.
Com a viagem de Castro, quem assume interinamente, na linha sucessória atual do Poder Executivo fluminense, é o presidente do Tribunal de Justiça do RJ, desembargador Ricardo Couto. Isso porque o cargo de vice-governador está vago desde maio de 2025, quando Thiago Pampolha deixou a função para assumir uma vaga no Tribunal de Contas do Estado (TCE), e o presidente titular da Alerj, deputado Rodrigo Bacellar (União Brasil), está afastado por decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
Acontece que Ricardo Couto também tem viagem marcada. Ele pretende embarcar no próximo domingo (01/02). Com isso, abre-se espaço para que Delaroli assuma o Palácio Guanabara por cerca de 10 dias, num revezamento raro, forçado por calendário e por crise na linha sucessória.
Nos bastidores, a leitura é que esses sete dias servem como teste de temperatura para o deputado, com a caneta do Executivo na mão e uma máquina estadual complexa para assinar, despachar e decidir. E há um componente político maior rondando essa história: a possibilidade de Cláudio Castro deixar o cargo mais adiante para disputar o Senado.
Segundo relatos atribuídos a pessoas próximas, Ricardo Couto não estaria confortável com a hipótese de virar o nome da cadeira quando Castro renunciar. A ideia, nesse cenário, seria permanecer o mínimo possível. “Quer ficar na cadeira por, no máximo, um dia”, dizem interlocutores, apontando o desconforto do desembargador com o tamanho do abacaxi administrativo.
A conta por trás desse desconforto é simples: o estado começa o ano com projeção de rombo de quase R$ 19 bilhões. “Poucos devem culpar o moço, se ele não quer assinar despesas e outras providências”, avaliam aliados ao comentar a dimensão fiscal do problema.
Por isso, já circulam estudos jurídicos sobre a viabilidade de Guilherme Delaroli assumir o governo no lugar de Ricardo Couto mais à frente, em março ou abril, caso Castro renuncie. E, se for preciso “abrir” de novo um vazio temporário, a hipótese de Couto viajar mais uma vez não é descartada por quem acompanha o assunto.