quarta-feira, 7 de outubro de 2026 - 9:22

  • Home
  • Rio de Janeiro
  • Clínica da família de Rio das Pedras oferece alfabetização de adultos e projeto é apresentado em Portugal

Clínica da família de Rio das Pedras oferece alfabetização de adultos e projeto é apresentado em Portugal

Divulgação

Localizada em Rio das Pedras, na Zona Oeste, a Clínica da Família (CF) Helena Besserman Vianna há mais de dois anos realiza o sonho de pessoas que não tiveram a possibilidade de estudar. O projeto Escrevendo Histórias promove alfabetização de adultos e idosos da região e já beneficiou mais de 30 pessoas. A boa ação foi apresentada na Conferência Mundial de Medicina de Família e Comunidade (WONCA World) 2025, em Lisboa, Portugal.

A ideia do projeto surgiu quando médicos e equipe técnica da unidade perceberam que alguns pacientes não compreendiam instruções básicas de saúde, não seguiam corretamente o tratamento ou não compareciam às consultas, por falta de habilidades de leitura e escrita. Assim, em 2023, foi criado o núcleo de alfabetização de adultos, com aulas que acontecem três dias na semana, sempre após o encerramento das atividades na unidade. O ensino é realizado por professores voluntários.

O Escrevendo Histórias teve como um dos idealizadores o agente de saúde Lucca Chagas. Ele, que também professor voluntário do projeto, conta que o propósito das aulas é oferecer autonomia e inclusão social aos pacientes:

“Quando o projeto começou, eu entrevistava as pessoas para saber quais eram as questões que precisávamos desenvolver. O objetivo era proporcionar independência e inclusão para essas pessoas que, por não saberem ler, tinham algumas dificuldades como, por exemplo, dependência de um acompanhante para ir à consulta médica”, conta Lucca, acrescentando que o analfabetismo também impacta a saúde do usuário, que “não consegue identificar o remédio que precisa tomar para seguir com o tratamento”.

Tendo que começar a trabalhar muito jovem, a dona de casa Ana Lúcia Viana, de 63 anos, está no projeto desde o início. Ela foi convidada por Lucca Chagas, após os seus colegas notarem que Lúcia faltava consultas em outras unidades, por não conseguir pegar ônibus sozinha. Dedicada, em duas semanas, a dona de casa aprendeu a escrever o seu nome. Hoje consegue ler a própria receita e tomar os medicamentos sozinha:

“Eu nunca tinha estudado. Quando cheguei aqui, não sabia de nada, não conseguia nem assinar meu nome. Fui aprendendo o som das letras e agora consigo juntar os sons e escrever. Hoje, consigo ler muitas coisas, assinar minha receita azul. Fui muito bem recebida e me sinto em casa no projeto,” comemora a paciente e aluna.

Reconhecimento internacional

Diante de tamanho êxito, a supervisora técnica da Área Programática 4.0 e ex-gerente da CF, Cassiana Dias inscreveu o projeto na Conferência Mundial de Medicina de Família e Comunidade (WONCA World) 2025, para contar ao mundo como surgiu a ideia do projeto, compartilhar a experiência de profissionais e usuários da Clínica da Família, além de valorizar as ações com o cuidado na Atenção Primária à Saúde e mostrar como esse trabalho é capaz de transformar o território.

O Escrevendo Histórias, segundo Cassiana Dias, consegue ultrapassar o espaço da unidade de saúde, unindo usuários, equipe e território. Por isso, a iniciativa foi selecionada pelo comitê científico da conferência, que ocorre bienalmente:

“Levar esse trabalho para Lisboa foi como conduzir a voz da Atenção Primária do Rio de Janeiro para um espaço global de discussão e mostrar que, além de indicadores, metas e protocolos, existem histórias, memórias, pessoas e vínculos que sustentam o cuidado e fazem o SUS acontecer todos os dias. Foi emocionante representar a APS do nosso território e ainda ouvir de outros países que o SUS é referência. Saí de lá com a certeza de que, quando a gente acredita no que faz e transforma a prática em conhecimento, nossa experiência ganha o mundo”, celebra Cassiana.

A gerente da unidade Jéssica Ribeiro também destacou a relevância do projeto e os seus impactos positivos, o que mostra como o “SUS é abrangente e como ele chega a lugares que a escola não chegaria”:

“O projeto mostra como o SUS é abrangente e como ele chega a lugares que a escola não chegaria. Também ensina à população que saúde é mais que um atendimento em consultório. A maioria da população pensa que saúde é apenas estar num consultório e ser atendido por um médico. Mas a saúde também está nas pequenas ações que fazemos nos lugares, como promover um espaço de aprendizado para as pessoas. Isso é promoção da saúde”, completa.

Receba notícias no WhatsApp e e-mail

Clique aqui para acessar a Fonte da Notícia

VEJA MAIS

Melhor investimento em saúde pode evitar 739 mil mortes no Brasil

Aumentar os investimentos em saúde de forma direcionada pode prevenir 739 mil mortes prematuras no…

Mendonça multa Flávio por impulsionar post negativo contra Lula

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta segunda-feira (5) multar o…

Cremerj promove campanha de doação de sangue em parceria com Hemorio

O Conselho Estadual de Medicina do Rio de Janeiro (Cremerj) promove nesta quarta-feira, (7) campanha…

Ir para o conteúdo