
O sábado (7) de Carnaval de rua no Rio de Janeiro teve ritmos variados, públicos distintos e ruas cheias em diferentes pontos da cidade. No Centro, o Circuito Preta Gil foi tomado pelo som do funk com o desfile do Bloco da Favorita, que transformou a Rua Primeiro de Março em um grande baile a céu aberto. O batidão puxado pelo trio reuniu milhares de foliões, muitos deles fantasiados, com glitter, óculos escuros e brilho espalhados pelo asfalto histórico. Confira a agenda dos blocos de rua do Rio em 2026. Confira a agenda dos blocos de rua do Rio em 2026.
No repertório, sucessos antigos e atuais embalaram o público ao longo do percurso. Um dos destaques do desfile foi o produtor Hitmaker, responsável por hits que marcaram o funk e o pop nos últimos anos. “Eu sempre compus minhas músicas pensando na energia das pessoas. Quando montei o setlist, eu fechava os olhos e imaginava todo mundo dançando, pulando, cantando. Agora estou todo arrepiado de sentir essa energia”, afirmou Hitmaker, celebrando a experiência de comandar o bloco.
O Bloco da Favorita contou ainda com participações especiais de Pocah, Puterrier, Maneirinho, Rodrigo da CN e Ramon Sucesso. A DJ Marisa D’Amato ficou responsável por aquecer o público desde as primeiras horas da manhã, mantendo a pista cheia antes mesmo da saída do trio.
Criadora do bloco, a empresária Carol Sampaio destacou o espírito do projeto. “Cada projeto que faço nasce do desejo de criar experiências inesquecíveis, com alegria, música e liberdade. O Bloco da Favorita é sobre isso: se permitir e celebrar a vida”, comentou.
Para Pocah, o funk é parte essencial do Carnaval de rua. “Funk é festa, alegria e diversidade. Se no meu Carnaval não tocar funk, tem alguma coisa errada. O Bloco da Favorita sempre foi um grande aliado do funk e abriu portas para muitos artistas”, disse a cantora, que desfilou como musa neste ano.
Entre os foliões, histórias pessoais se misturavam ao som. Antônio Rangel e Maiara Souza, moradores de Vicente de Carvalho, escolheram o Favorita como parada obrigatória. “A gente prefere blocos menores, mas ama funk e sempre faz questão de vir”, contou Maiara. “O funk faz parte da nossa história. Nosso primeiro beijo foi num baile”, completou Antônio.

Em Santa Teresa, o tradicional Céu na Terra voltou a encantar o público com seu cortejo pelas ladeiras do bairro. Com 25 anos de história, o bloco levou bonecos gigantes, pernaltas e um desfile marcado por cores fortes e atmosfera lúdica. A edição deste ano homenageou Jorge Ben Jor, referência do sambalanço e autor de clássicos que atravessam gerações.
À frente do cortejo, um boneco gigante de Jorge Ben Jor acompanhava a réplica do bondinho feita com material reciclado, em meio ao casario histórico. “A ideia foi trazer o sambalanço, esse samba-rock com uma característica diferente, e criar uma interação maior com o público”, explicou Péricles Monteiro, um dos coordenadores do bloco.
O repertório incluiu músicas como “País Tropical”, “Chove Chuva” e “Os Alquimistas Estão Chegando”, cantadas em coro ao longo do trajeto. O bloco volta às ruas no próximo sábado (14), com concentração a partir das 7h, no Largo dos Guimarães.
Uma das fundadoras do Céu na Terra, Ana Vargas desfilou tocando chocalho ao lado das filhas e falou sobre o significado dessa continuidade. “É muito bonito viver isso agora com minhas filhas. Esse é um bloco que deixa um legado do Carnaval de rua, que passa de geração em geração”, afirmou, emocionada.


Na Ilha de Paquetá, o Pérola da Guanabara recebeu foliões logo cedo e manteve o clima leve que marca o Carnaval da ilha. Durante a concentração, um aniversário improvisado chamou atenção: Renan, comemorando 34 anos, abriu um espumante antes da barca partir e incorporou a celebração ao desfile.
Fundadora do bloco, Violeta Reis contou que a relação com Paquetá vem desde a infância e influenciou diretamente a criação do Pérola. “A gente sempre teve uma ligação muito forte com a ilha. Quando voltamos com nossos filhos, vimos que aqui era um cenário perfeito para um Carnaval próximo, integrado ao território”, relembrou.
Criado em 2011, o bloco começou com bailes parados no coreto e, com o tempo, virou cortejo. “Os moradores abraçaram a ideia. As pessoas abrem as portas de casa para celebrar junto”, disse Violeta, destacando a troca afetiva com a ilha.
Neste ano, o Pérola da Guanabara também levou memória à folia, com um estandarte em homenagem a Cristina Buarque. “Ela era uma grande admiradora do bloco. Fizemos essa homenagem para manter viva essa lembrança”, afirmou a fundadora.