sexta-feira, 17 de julho de 2026 - 6:41

Começa a Temporada 2026 dos Ipês

Roteiro dos ipês – Divulgação/Prefeitura

Passo pela Ilha do Fundão em direção ao Centro do Rio e observo os ipês-roxos e rosas já começando a florescer, marcando o início dessa bela temporada, que se estenderá até novembro.

Após junho, mês em que se comemora o Dia Mundial do Meio Ambiente e em que ações voltadas à sustentabilidade ocorreram em todo o mundo, chegamos a julho com a intensidade das baixas temperaturas do inverno. É nesse período que os ipês começam a florescer — inicialmente os roxos e rosas — e, com a queda das flores, formam lindos tapetes coloridos.

O poético início do florescimento dos ipês foi eternizado pelo consagrado jornalista Ancelmo Gois, que reproduzia em sua coluna fotos enviadas pelos leitores com a chamada “Começa a Temporada dos Ipês”. Essa temporada se estende até novembro, com o posterior florescimento dos ipês-brancos, amarelos e verdes. Aliás, o ipê-amarelo é considerado a árvore-símbolo do Brasil.

Nesse contexto de sustentabilidade ambiental, um dos projetos dos quais mais me orgulho em minha trajetória foi a criação de viveiros de mudas quando presidi a Cedae. A iniciativa utilizava, inclusive, mão de obra proveniente do sistema penitenciário por meio do projeto Replantando Vidas, desenvolvido com muita dedicação por Alcione Duarte, servidor que é um verdadeiro símbolo da companhia. O projeto, aliás, funciona até hoje.

As árvores produzidas nesses viveiros são majoritariamente de espécies da Mata Atlântica e são belíssimas. O maior dos seis viveiros que implantamos no Estado do Rio de Janeiro está localizado dentro da Colônia Agrícola de Magé e tem capacidade para produzir cerca de um milhão de mudas por ano.

Nesse processo de reflorestamento, conseguimos até mesmo quebrar um recorde mundial durante o evento chamado “Dia C”, quando plantamos quase 60 mil árvores em um único dia. Recordo que o desafio foi lançado pelo então ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, e mobilizou um grande mutirão em diversos pontos do estado.

Dentro desses mutirões, que incluíram o plantio de ipês, tenho realizado ações voluntárias na Ilha do Governador, especialmente no Corredor Esportivo do Moneró e na Avenida das Canárias.

O ipê é, portanto, uma das árvores de que mais gosto e cuja produção fiz questão de ampliar nos viveiros. Plantamos centenas de milhares de exemplares espalhados por todo o estado, especialmente às margens dos rios, para recompor as matas ciliares, que contribuem para a preservação dos cursos d’água, das margens e das nascentes.

Nesses viveiros são produzidas mudas de ipês-brancos, amarelos, rosas, verdes e, especialmente, roxos. Eles já podem ser vistos florescendo pelas ruas do Rio e em diferentes pontos que colorem nossas matas.

Alguns prefeitos têm adotado como política pública o plantio de ipês para arborizar e embelezar suas cidades. Foi o que fez o ex-prefeito de Miguel Pereira André Português, que adornou a principal estrada de acesso ao município com milhares de ipês-amarelos. O prefeito de Maricá, Washington Quaquá, também divulgou um plano para plantar dezenas de milhares dessas lindas árvores no município.

Um dos ipês que gosto de fotografar todos os anos fica na Praça Mário Lago, conhecida como Buraco do Lume, em frente à nova sede da Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro, o antigo Banerjão.

Para aqueles que querem começar a “caçar” ipês, fotografá-los e publicar as imagens, sugiro uma visita à Cidade Universitária da UFRJ, na Ilha do Fundão. Ali existem dezenas de exemplares, especialmente roxos e rosas. No ano passado, visitei a região com o amigo e professor Fabiano Rapozo, quando fizemos belos registros. Alguns já estão florindo junto à entrada dos novos prédios da Coppe, próximos à Ponte do Saber.

O ipê está incluído no gênero Handroanthus e pode atingir entre seis e 14 metros de altura na fase adulta. Seu tronco normalmente varia de 30 a 50 centímetros de diâmetro. Muitas vezes, começa a produzir flores cinco anos após o plantio. Suas raízes não apresentam forte crescimento lateral, reduzindo os riscos de danos a calçadas e canteiros.

Sugiro às pessoas que caminham pela cidade que comecem a apreciar a beleza dos ipês destacados em nossa paisagem. É uma “caça sustentável”, recompensada por belas imagens que merecem ser compartilhadas e fazem bem aos olhos — e, principalmente, à alma.

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