
A condenação do conselheiro José Gomes Graciosa pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta quarta-feira (4), a 13 anos de prisão e, sobretudo, à perda do cargo público, desencadeou uma corrida imediata nos bastidores da política fluminense pela vaga aberta no Tribunal de Contas do Estado (TCE). A decisão, ainda passível de recursos, foi suficiente para colocar deputados e integrantes do Executivo em modo de urgência.
Entre os nomes que passaram a circular com força estão o do secretário-chefe do Gabinete do governador Cláudio Castro (PL), Rodrigo Abel; o do deputado estadual Rodrigo Amorim (União), líder do governo na Alerj e presidente da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ); e o do prefeito de Itaboraí, Marcelo Delaroli (PL), irmão do presidente em exercício da Assembleia, Guilherme Delaroli.
Um cargo vitalício e cobiçado
O interesse não é gratuito. O cargo de conselheiro do TCE é vitalício, com salário bruto em torno de R$ 47 mil mensais, além de uma série de benefícios previstos para a função. Entre eles, estão estabilidade até a aposentadoria compulsória, foro especial, ampla estrutura própria de gabinete e influência direta sobre a fiscalização das contas do Estado e de 91 dos 92 municípios do estado do Rio de Janeiro.
Cada conselheiro tem direito a nomear uma ampla equipe de assessores, cerca de 20 cargos comissionados, com salários que variam dos mais baixos, na faixa aproximada de R$ 5 mil, até vencimentos superiores a R$ 20 mil nos postos de maior hierarquia. A estrutura robusta transforma a vaga em uma das mais cobiçadas do serviço público estadual.
Pressa para definir quem entra primeiro
Embora outras duas vagas devam ser abertas no TCE ainda este ano, a disputa agora gira em torno de quem ocupará primeiro a cadeira deixada por Graciosa. Nos bastidores, a indicação de Rodrigo Abel já vinha sendo negociada entre o Palácio Guanabara e a Alerj, mas a ascensão política da família Delaroli adicionou um novo elemento de tensão ao tabuleiro do poder estadual.
Marcelo Delaroli, prefeito de Itaboraí, passou a ser tratado como um nome competitivo após o irmão assumir interinamente a presidência da Assembleia, o que alterou o equilíbrio de forças internas, especialmente dentro do PL.
Vaga vira moeda de troca política
A corrida pelo TCE não ocorre de forma isolada. Deputados e interlocutores do governo admitem que a vaga se tornou uma moeda de troca central em outra negociação sensível: a escolha do nome que disputará, em eleição indireta na Alerj, o chamado mandato-tampão de governador até dezembro.
Este pleito indireto surgiu, inclusive, devido à indicação do vice-governador Thiago Pampolha ao próprio TCE, contornando uma crise entre ele e Claudio Castro. Em seguida, houve o afastamento do então presidente da Alerj, Rodrigo Bacellar (União), acusado de envolvimento com o crime organizado. O até então desconhecido Delaroli entrou neste vácuo de poder e hoje reivindica uma vaga para o irmão na corte abastada.
Há uma queda de braço em curso entre o governador Cláudio Castro e a cúpula do PL, partido que controla a maior bancada da Assembleia, com 18 parlamentares, e forte influência nas bancadas com o mesmo viés ideológico. Nesse contexto, a indicação para o Tribunal de Contas, com seu peso político, simbólico e material, surge como ativo estratégico nas negociações.