
A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado aprovou, nesta terça-feira (31), a convocação do ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) para prestar depoimento. A oitiva é tratada por integrantes do colegiado como um passo central para aprofundar as investigações sobre a atuação do Comando Vermelho (CV) no estado.
Relator da CPI, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE) classificou o depoimento como “absolutamente indispensável” para compreender o grau de influência da facção criminosa em estruturas públicas e políticas fluminenses.
Pressão por esclarecimentos
Castro já havia sido chamado a depor em fevereiro, mas a sessão acabou cancelada. Agora, com a nova convocação aprovada, cresce a expectativa entre senadores de que o ex-governador esclareça episódios que, segundo investigadores, indicam fragilidade ou possível conivência no enfrentamento ao crime organizado durante sua gestão.
O Rio de Janeiro é apontado por integrantes da CPI como um dos principais centros de operação do Comando Vermelho, facção que expandiu sua atuação nos últimos anos, ampliando o controle territorial e sua influência sobre atividades econômicas ilegais.
A comissão pretende ouvir de Castro detalhes sobre políticas de segurança pública adotadas à época, a relação institucional com forças policiais e eventuais falhas que tenham permitido o avanço da organização criminosa.
Prisões e suspeitas no entorno político
A convocação ocorre em meio a uma série de investigações e operações policiais que atingiram figuras próximas ao ex-governador. Integrantes e ex-aliados políticos de Castro foram presos sob suspeita de envolvimento com o crime organizado, incluindo ligações com o Comando Vermelho.
Entre os casos que mais repercutiram estão as prisões do ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), Rodrigo Bacellar (União Brasil), e do deputado TH Jóias, que já integraram a base de apoio do governo estadual e foram alvos de investigações sobre supostos vínculos com esquemas ilícitos relacionados a facções criminosas.
As investigações apontam para uma possível rede de influência que envolveria agentes públicos e interesses da facção. Esses casos são vistos por parlamentares da CPI como indícios de que o problema vai além da segurança pública, alcançando esferas políticas e administrativas do estado.
Alcance da convocação
Apesar de a convocação tornar obrigatória a presença, Castro poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) para garantir o direito ao silêncio ou até tentar suspender a oitiva, estratégia comum em CPIs. A data do depoimento ainda não foi definida pela presidência da comissão.
Outras frentes de investigação
Além de Castro, a CPI também aprovou a convocação do ex-governador do Distrito Federal Ibaneis Rocha (MDB). Nesse caso, o foco será a relação entre o Banco de Brasília (BRB) e o Banco Master, com apuração de possíveis favorecimentos em decisões administrativas.
No entanto, é o capítulo fluminense que concentra maior atenção política no momento. Para integrantes da CPI, o depoimento de Castro pode ajudar a traçar um diagnóstico mais preciso sobre como uma das maiores facções criminosas do país conseguiu ampliar sua presença no Rio e se houve falhas ou omissões por parte do poder público.
A expectativa é que a oitiva marque um novo momento nas investigações, com potencial para aprofundar a responsabilização de agentes políticos e reforçar o debate sobre o combate ao crime organizado no estado.