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Delaroli nomeia assessor de Bacellar, exonerado há menos de um mês, para cargo na presidência da Alerj

Divulgação/Alerj

Exonerado no mesmo dia em que a Polícia Federal deflagrou a segunda fase da Operação Unha e Carne, o ex-assessor Márcio Bruno de Carvalho voltou à Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj). A nomeação foi publicada no Diário Oficial desta quinta-feira (08/jan)), e o coloca novamente em um cargo estratégico ligado à presidência da Casa, então comandada por Rodrigo Bacellar (União), hoje afastado do posto e em prisão domiciliar.

O retorno ocorre em meio à maior varredura administrativa da Alerj em pelo menos três décadas. Na última semana, o presidente em exercício, Guilherme Delaroli (PL), exonerou 206 servidores comissionados, numa tentativa de conter o desgaste político provocado pelo avanço das investigações da PF sobre o núcleo próximo a Bacellar.

Volta ao núcleo de confiança de Bacellar

Márcio Bruno havia sido demitido em 16 de dezembro, poucas horas depois do início da operação policial, quando ocupava o cargo de assessor especial de plenário no gabinete de Bacellar. À época, a exoneração foi publicada em um Diário Oficial extra, como parte de uma série de dispensas que atingiu a cúpula administrativa ligada ao então presidente da Casa.

Agora, ele retorna como assessor de gabinete do deputado afastado da presidência, função que já exerceu no início do mandato de Bacellar. Márcio substitui Rui Carvalho Bulhões Júnior, considerado um dos principais articuladores políticos do grupo e também exonerado no dia da operação.

Interlocutores da presidência afirmam que a nomeação ocorreu a pedido de Bacellar, que, apesar do afastamento do comando da Assembleia, segue exercendo o mandato de deputado estadual e mantém o direito de estruturar seu gabinete.

Exonerações em série e desgaste político

A exoneração de Márcio Bruno em dezembro coincidiu com a queda de outros nomes centrais da gestão Bacellar. Na mesma edição extraordinária do Diário Oficial, Delaroli demitiu o então diretor-geral da Casa, Marcos André Riscado Brito, e o procurador-geral Robson Maciel.

Sob a gestão de Brito, trabalharam na Alerj pessoas ligadas a investigados da Operação Unha e Carne, incluindo a esposa do desembargador do TRF-2 Macário Judice Neto, preso na mesma ação da Polícia Federal. A sucessão de demissões foi interpretada nos bastidores como uma tentativa de blindar a Assembleia dos desdobramentos do inquérito.

De Cambuci para a Alerj

Além da proximidade política, Márcio Bruno mantém relação antiga com Bacellar. Ele integrou a formação original da banda Os Mulekes, historicamente ligada ao deputado, e já apareceu citado em investigações envolvendo a Prefeitura de Cambuci.

Nesse inquérito, o Ministério Público do Rio apurou um suposto esquema descrito como “aluguel da prefeitura”, no qual Bacellar e seu pai, Marcos Bacellar, teriam pago cerca de R$ 160 mil mensais ao então prefeito para controlar a administração municipal, segundo delações e depoimentos. O grupo atuaria nos bastidores, indicando aliados para cargos estratégicos.

Demissões em massa e possibilidade de recuos

A volta de Márcio Bruno ocorre poucos dias após Delaroli exonerar 206 servidores comissionados da Alerj. Entre os desligados estão indicados de figuras centrais da política fluminense, como os ex-presidentes da Casa Paulo Melo e Sérgio Cabral, além de familiares do ex-governador.

Levantamento interno aponta que 47 exonerados eram ligados a Paulo Melo, 17 a Sérgio Cabral e cerca de 50 a André Ceciliano, ex-presidente da Assembleia e atual secretário de Assuntos Parlamentares do governo federal.

Até o momento, não houve confirmação oficial de outros retornos de servidores exonerados. Nos bastidores, porém, circula a expectativa de que parte das demissões possa ser revista. Pelo regimento interno, o presidente em exercício tem até 30 dias para tornar “sem efeito” exonerações já publicadas, possibilidade que vem sendo discutida após pressão de parlamentares e lideranças políticas.

Reacomodação de forças

Enquanto avalia eventuais recuos, Delaroli também tem promovido nomeações de aliados de seu reduto político, Itaboraí, município administrado por seu irmão, Marcelo Delaroli. Cargos estratégicos passaram a ser ocupados por nomes com vínculos diretos com a prefeitura local, repetindo uma prática comum em gestões anteriores da Casa.

No ambiente político da Assembleia, a leitura é de que as exonerações e as novas nomeações fazem parte de um rearranjo mais amplo, que pode preparar o terreno para uma eventual renúncia definitiva de Bacellar à presidência ou, ao menos, para a consolidação de uma nova correlação de forças no comando do Legislativo fluminense.

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