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Depois de animar a pista LGBT+ por 28 anos, Galeria Café Rio fecha as portas em Ipanema

Galeria Café funcionava na Teixeira de Mello // Google Maps

Desde os anos 1990, a comunidade LGBT+ e simpatizantes contavam com um espaço dedicado à diversidade no coração da Zona Sul carioca. Localizado na Rua Teixeira de Melo, 31, o Galeria Café Rio era parada obrigatória para quem queria ferver na pista com muita espontaneidade, ao som de grandes sucessos internacionais e pérolas do cancioneiro popular, como as interpretadas pela rebolativa Gretchen.

O anúncio foi feito nesta segunda-feira (9), no Instagram por uma das sócias do negócio, Alexandra di Calafiori:

“Após 28 anos de uma trajetória intensa, histórica e cheia de significado, chegou o momento de encerrarmos as atividades do Galeria Café Rio. Foram quase três décadas de histórias, encontros, afetos, liberdade, música, arte e resistência”, disse a empresária, lembrando que o Galeria sobreviveu a muitos momentos difíceis ao longo da sua história:        

“Sobrevivemos à uma pandemia, a epidemias, a inúmeras crises econômicas, a mudanças de governos e presidentes, sempre firmes no propósito de manter o Galeria como um espaço seguro, plural e acolhedor”, afirmou Alexandra.

“Hoje, encerramos este ciclo com o coração cheio de gratidão e a certeza de dever cumprido. Temos orgulho de afirmar que o Galeria Café Rio exerceu, ao longo de sua existência, um papel fundamental social, cultural e de entretenimento para a Comunidade LGBTQIAPN+, sendo palco de visibilidade, expressão, pertencimento e celebração”, afirmou di Calafiori, acrescentando que lembranças, histórias vividas e amizades construídas serão guardadas na memória.

“A todos que fizeram parte dessa história – público, artistas, DJs, colaboradores, staff, parceiros e amigos – o nosso mais profundo e sincero obrigado. Com carinho e orgulho”, finalizou a empresária, casada com o músico e ator Cláudio Lins, de quem era sócia no negócio.

O Galeria Café Rio foi o ponto de encontro de muitas pessoas da comunidade LGBT+. Pelo lugar passaram pessoas comuns e personalidade famosos do Brasil e do exterior, como o estilista francês Jean-Paul Gaultier e a princesa Stéphanie de Mônaco. O local também serviu de cenário para entrevistas, clipes e exposições. O cartaz do Galeria era tamanho que o seu endereço estava em todos os guias gays internacionais. 

No perfil da casa no Instagram, os comentários eram de lamento e gratidão:

“Tenho tanto orgulho de fazer parte dessa história, desse legado. O Galeria é história, sempre foi acolhimento, um lugar onde todos nós pudéssemos ser nós mesmos, livres e em um ambiente de amor e alegria. Foi uma honra fazer o marketing digital por um tempo, me conectar com pessoas tão maravilhosas e profissionais. Obrigado @alexandra.di.calafiori por essa oportunidade. Viva o Galeria e sua memória que sempre prevalecerá!”, disse um ex-funcionário e seguidor do perfil.

“Gratidão por este lugar ter sido tão acolhedor, corajoso e vanguardista. Palco de tantas noites de alegria, música e amizades que marcaram as vidas de tanta gente. Obrigado por enfrentarem as adversidades e seguirem firmes mesmo quando tantos remaram contra. É muito triste ver mais um espaço de resistência se fechar, mas as memórias seguirão vivas, guardadas com carinho por todos que frequentaram o Galeria”, lamentou um Instagrammer.

“Foram momentos marcantes que tivemos na @galeriacaferio e agora vão ficar na memória. Agradeço a todos funcionários que sempre@fizeram um excelente trabalho e aos Djs que sempre levaram uma vibe inesquecível em cada set tocado. Vocês arrasaram. Até breve”, despediu-se um usuário da rede.

Até um maranhense, entrou perfil do Galeria para se despedir e agradecer pelos momentos vividos no espaço LGBT+ da Teixeira de Melo:

“Sou maranhense e viajei ao Rio de Janeiro duas vezes. Em cada uma das viagens, eu fui ao Galeria Café, e as duas experiências foram completamente incríveis. Vivi momentos maravilhosos que guardo com muito carinho. Na primeira viagem, eu tinha acabado de completar 18 anos e aquela foi a primeira festa voltada para o público LGBT que eu fui na vida. Nessa mesma noite, conheci pessoalmente dois amigos virtuais e juntos aproveitamos uma noite incrível ao som de músicas que amamos. Na segunda viagem, fui em um especial da Lady Gaga (minha cantora favorita) que ocorreu no dia seguinte do show, e fiquei imensamente feliz por ouvir todas as músicas dela em uma única festa. Esse lugar me marcou demais de uma forma que eu nunca vou me esquecer! vocês são incríveis, muito obrigado!”, disse o frequentador nascido no Estado do Maranhão.

Inaugurado em 1997, o Galeria Café tornou-se um símbolo da diversidade e referência de arte, moda e comportamento no Rio de Janeiro. Com força, inventividade e muita perseverança, o espaço sobreviveu a diversas agruras, sobretudo a pandemia, que levou os sócios a recorrerem a vaquinhas para não fechar as portas, como informou o DIÁRIO DO RIO, em maio de 2021.

O esforço durante muito tempo valeu a pena. Mesmo “depois de sete meses fechado e oito com capacidade reduzida” e “oxigênio” reduzido por conta da pandemia, o Galeria Café se superou. Diante de tanta resiliência, não admira que o espaço reabra em uma das ruas da badalada e luminosa Ipanema.

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