
O desfile realizado pela Acadêmicos de Niterói, no último domingo (15), continua a ensejar desdobramentos. Com o enredo “Do alto do Mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”, a agremiação foi acusada de promover um palanque eleitoral para o atual presidente da República, além de ser preconceituosa contra os evangélicos e representar a família tradicional, composta por pai, mães e filhos, dentro de uma lata de conserva.
Os protestos contra o desfile foram inúmeros, mas os ataques à ética e aos valores tradicionais foram os que mais apresentaram reverberações. Nesta terça-feira, dia 17, a Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro (ArqRio) divulgou uma nota manifestando a sua preocupação quanto à “utilização de símbolos da fé cristã e da instituição familiar em manifestações culturais de maneira que compreendemos como ofensiva”.
No comunicado a ArqRio destacou que as festas populares, como “expressão da identidade brasileira, espaço de criatividade, encontro e alegria”, devem respeitar as “convicções religiosas profundas e valores que estruturam a vida social”, que “são invioláveis para as pessoas desta cidade [Rio de Janeiro]”.
A instituição destacou ainda que mantém uma relação de “proximidade a todas as famílias, acolhendo as diferentes realidades em que se empenham para permanecerem unidas, educar seus filhos no bem e transmitir valores que contribuem para uma sociedade mais justa e fraterna”.
Sobre outras manifestações religiosos, a Arquidiocese carioca enfatizou que as religiões “desempenham papel particular e relevante na promoção da solidariedade, da educação e do cuidado com os mais vulneráveis”. Por isso, ocupam “um lugar essencial na vida social, permanecendo viva, influente e fundamental na formação ética e moral da sociedade”.
Em seguida, a alta representação da Igreja Católica na capital afirmou: “Ataques ou desrespeito a ela atingem não apenas as instituições, mas também a consciência de milhões de cidadãos”.
A ArqRio reforçou o valor da alegria na cultura popular, desde que “vivida de forma saudável e respeitosa”. A instituição ressaltou que “situações pontuais de desrespeito não representam a riqueza e a diversidade cultural da cidade, que devem ser sempre espaços de inclusão, diálogo e convivência democrática”.
No documento, a Igreja Católica afirmou que “os eventos culturais possuem regulamentos próprios”, com limites para manifestações públicas, sem cerceamento da liberdade de expressão, “mas justamente à luz desse valor fundamental em uma sociedade democrática, garantindo o respeito à posição religiosa das pessoas e à dignidade da família”.
Por fim, a Arquidiocese do Rio de Janeiro reafirmou o seu “compromisso com a defesa da fé, da dignidade da família, da liberdade religiosa, da liberdade de expressão e da construção de uma cultura de diálogo e paz”, acrescentando que esses direitos fundamentais, “caminham lado a lado com responsabilidade e respeito mútuo”.
“O Rio de Janeiro é maior quando constrói pontes, promove a convivência respeitosa e reconhece que família, fé e cultura podem caminhar juntas na edificação de uma sociedade mais fraterna, madura e verdadeiramente democrática”, concluiu a Igreja Católica em seu comunicado.