quarta-feira, 26 de novembro de 2025 - 10:53

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Escolas do Rio de Janeiro sofrem com o impacto das operações policiais

Placa na entrada de uma escola municipal do Rio de Janeiro
Foto: Andrevuas

Na manhã desta quarta-feira (26/11) ocorreu uma operação emergencial da Polícia Civil no Complexo da Maré para conter invasões de territórios por traficantes rivais. Na ação, um menino de 10 anos foi atingido por uma bala perdida dentro do Ciep Hélio Smidt, que fica ao lado do 22°BPM (Maré).

Na mesma região, nos primeiros sete meses de 2024, os 20 mil estudantes das 49 escolas da Maré perderam 26 dias de aula (até 22/08) devido às operações policiais. Os dados são do Redes da Maré.

Uma pesquisa realizada pelo Instituto Fogo Cruzado estima que, entre 2022 e 2024, cerca de 2 mil tiroteios ocorreram próximos de escolas na cidade, a maioria a menos de 300 metros das instituições de ensino no Rio de Janeiro.

Há um mês, por conta dos desdobramentos da megaoperação policial nos complexos do Alemão e da Penha, aulas foram interrompidas em diferentes níveis de ensino. A Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que, na região do Alemão, 31 escolas tiveram aulas suspensas. Na Penha, 17 escolas ficaram sem aulas.

Na mesma ocasião, o DIÁRIO DO RIO publicou com exclusividade que as provas do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb) 2025 não foram aplicadas em boa parte das escolas da Região Metropolitana do Rio de Janeiro devido à megaoperação policial. O cronograma do exame que serve como base para calcular o Índice de Desenvolvimento da Educação Básica (IDEB), acabou sendo mudado.

No último IDEB, baseado em avaliações feitas em 2023, o estado do Rio de Janeiro ficou em penúltimo lugar, à frente apenas do Rio Grande do Norte.

A reportagem do DIÁRIO DO RIO procurou as secretarias de educação do município e do estado para questionar quantas escolas foram fechadas no Rio de Janeiro por conta de ações policiais nos últimos cinco anos.

A Secretaria Municipal de Educação (SME) informou que nos últimos três anos, diversas unidades escolares (escolas ou creches) tiveram suas atividades interrompidas pelo menos uma vez por conta de operações policiais. Em 2023 foram 440. No ano seguinte (2024), 471. Neste ano de 2025, o número subiu, chegando a 583.

A Secretaria de Educação Estado do Rio de Janeiro (Seduc) respondeu: “Não temos esse levantamento. Informamos que a interrupção de aulas pode ocorrer em um turno especifico ou afetar todos os turnos e que os conteúdos eventualmente perdidos são repostos, sem prejuízos educacionais“.

Na quarta-feira (26), a vereadora Maíra do MST enviou um requerimento à Secretaria Municipal de Educação reivindicando informações e providências sobre os impactos das operações policiais nas comunidades escolares do município do Rio de Janeiro.

“Não dá mais pra tolerar que uma política, que se diz de segurança pública, torne até mesmo a sala de aula um local inseguro para nossas crianças e adolescentes. Até quando o governador Cláudio Castro vai usar a necropolítica e o sangue dos favelados como palanque eleitoral?”, questiona a vereadora, que completa na sequência:

“De maneira recorrente, tenho recebido em meu gabinete diversas denúncias e também questionamentos sobre quais medidas são adotadas pela prefeitura para proteger crianças e adolescentes dentro das escolas. Exigimos que a Secretaria Municipal de Educação faça a sistematização desses dados e tome providências efetivas para prevenir e mitigar os danos e violações de direitos humanos causados pelas operações policiais nas favelas”.

No documento, que considera o período de 2020 até o primeiro semestre de 2025, a vereadora questiona quantos alunos foram impactados pela suspensão das aulas nos dias de operações policiais; quantas escolas, públicas e municipais, tiveram suas atividades suspensas e/ou precisaram ser fechadas em virtude das ações e quantos profissionais foram dispensados com o fechamento das unidades escolares.

A parlamentar cobra, ainda, que a Prefeitura do Rio informe e divulgue as medidas e os protocolos que vêm sendo adotados pelo poder público para a mitigação dos danos e das violações de direitos resultantes das operações policiais. O prazo para resposta é de 30 dias corridos.

O Governado do Estado do Rio de Janeiro já anunciou que planeja realizar mais 10 operações policiais até o fim deste ano, continuando as novas ações da Contenção e da Barricada Zero.

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