
Depois de mais de uma década de idas e vindas, o novo Museu da Imagem e do Som do Rio de Janeiro já tem prazo definido para sair do papel. A entrega do prédio está prevista para o segundo semestre de 2026, encerrando um ciclo de 14 anos desde o início das intervenções no terreno, em plena orla de Copacabana.
A história do novo MIS começou em 2010, quando o antigo edifício foi demolido. As fundações do novo prédio chegaram a ser construídas em 2014, mas a obra foi interrompida em 2016, após a desistência da empreiteira contratada. No mesmo período, a crise financeira do governo do estado inviabilizou a continuidade dos trabalhos. A retomada só ocorreu em 2021.
O projeto prevê um edifício de oito andares, com espaços para exposições de longa duração e temporárias, áreas de convivência, café, restaurante, centro de documentação e pesquisa, além de ambientes voltados a eventos culturais e audiovisuais. A proposta é que o museu funcione também como um espaço de permanência, não apenas de visitação pontual.
Equipamento permanente para eventos e telão de cinema ao ar livre
Inspirado no desenho das calçadas de Copacabana e na geografia do Rio, o prédio foi concebido para dialogar com a paisagem urbana. A fachada é composta por cerca de 22 mil tubos de alumínio, responsáveis pelo controle da entrada de luz natural e pela integração visual com o entorno. Parte da estrutura permite vista ampla da praia e será utilizada para eventos, com previsão de instalação de um telão para sessões de cinema ao ar livre.
Após a entrega da obra física, prevista, segundo o Governo do Estado, para março, o museu ainda passará por um período estimado de seis meses até a abertura completa ao público. Esse intervalo será dedicado à instalação de mobiliário, equipamentos e à organização das exposições. Essa etapa ficará sob responsabilidade da Fundação Roberto Marinho, que também planeja uma abertura preliminar, em formato de soft opening, com exposição temporária sobre o próprio projeto do museu.

Custos totais da obra
De acordo com informações do Estado, o investimento previsto chega a R$ 345 milhões, somando recursos públicos e patrocínios obtidos por meio de leis de incentivo, como a Lei Rouanet e a Lei do ICMS. Já levantamentos citados pela Folha de S.Paulo indicam que o valor final da obra é incerto, em razão dos sucessivos atrasos e contratos firmados ao longo dos anos. O orçamento inicial, estimado em R$ 70 milhões em 2009, teria ultrapassado R$ 190 milhões.
Relatórios do Tribunal de Contas do Estado e das empresas envolvidas apontam que parte da demora estaria associada às condições encontradas no canteiro de obras após os períodos de paralisação. Entre os problemas registrados em 2024 estiveram danos em painéis da fachada, corrimãos enferrujados e espelhos danificados.
A gestão do novo MIS deverá ser feita por uma organização social, ainda a ser contratada pelo governo do estado. A expectativa oficial é que o equipamento amplie a oferta cultural da cidade e consolide Copacabana como um polo permanente de atividades ligadas à memória audiovisual, à música e à imagem, com programação contínua voltada tanto para moradores quanto para turistas.
