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Evelyn Bastos comenta chegada de Virginia Fonseca ao Carnaval do Rio e fala sobre nova geração de rainhas

Cria do Morro da Mangueira e um dos rostos mais emblemáticos do Carnaval carioca, Evelyn Bastos chega à folia de 2026 consolidada como uma das rainhas mais longevas da Marquês de Sapucaí. Aos 32 anos e completando 12 temporadas à frente da bateria da Estação Primeira de Mangueira, a sambista abriu espaço para falar sobre a renovação dos postos de rainha e o que considera essencial para sustentar a tradição do cargo.

Segundo ela, a chegada de novos nomes ao posto reacende o debate sobre representatividade e identidade das agremiações. Ao comentar a escolha da influenciadora Virginia Fonseca para comandar a bateria da Acadêmicos do Grande Rio, Evelyn preferiu trazer a discussão para o campo da vivência pessoal.

“A minha opinião sobre as rainhas de bateria é muito pessoal. Eu falo sobre a minha vivência”, afirmou. A rainha relembra que o reconhecimento não veio de imediato. “Só fui reconhecida pelas pessoas no meu quinto, sexto ano como rainha. Foi muito difícil provar para as pessoas que eu, como uma mulher da comunidade, da periferia, poderia ser uma boa rainha. Eu não tinha mídia a meu favor, não saía nos jornais, mas eu tinha disposição para ser rainha.”

Para a sambista, o posto vai além da estética e precisa refletir a essência de cada escola. “A rainha é o retrato da escola. É uma mensagem que a escola quer passar”, disse. Segundo ela, quando a escolha dialoga com as raízes das agremiações, o impacto vai muito além da avenida. Ela cita exemplos como Bianca Monteiro, da Portela, e Lorena Raissa, da Beija-Flor de Nilópolis, além da valorização de integrantes oriundas das comunidades em escolas como a Paraíso do Tuiuti.

“A coroa tem que estar na cabeça de vocês”, afirmou ao comentar a importância da representatividade. “Fico muito feliz de ver a Mangueira, a Beija-Flor, a Portela, o Tuiuti mostrando a cara do samba, a cara do carnaval para o seu povo, dizendo que você que é do Morro da Mangueira, do Tuiuti, de Madureira, é que é a rainha. Essa é a mensagem que eu vejo quando a Bianca está passando, quando a Lorena está passando.”

Tradição familiar e raízes no samba

Nascida na localidade conhecida como Três Tombos e hoje moradora da Olaria, ambas dentro do Morro da Mangueira, Evelyn cresceu cercada pelo universo do samba. A ligação com a escola atravessa gerações. Sua mãe, Valéria Bastos, ocupou o posto de rainha de bateria entre 1987 e 1989. Tias desfilaram como passistas e a avó paterna integrou durante décadas a ala das baianas, além de ser uma referência religiosa respeitada na comunidade.

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