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Galeão cresce, puxa carga aérea e entra em nova fase com repactuação de contrato

Foto: Divulgação

Nos últimos dois anos, a malha aérea do Rio de Janeiro passou por uma reorganização que reposicionou o Aeroporto Internacional Tom Jobim (Galeão) no mapa da aviação comercial. A decisão do governo federal de limitar em 6,5 milhões de passageiros por ano o movimento do Santos Dumont, em novembro de 2023, deu o empurrão que faltava para o terminal da Ilha do Governador se consolidar como hub logístico e porta de entrada internacional. As informações são do Valor Econômico.

Neste ano, até outubro, cerca de 15 milhões de passageiros passaram pelo Galeão. A expectativa do Ministério dos Portos e Aeroportos é que esse número dobre nos próximos três anos, impulsionado pela repactuação do contrato com a concessionária RioGaleão e pela retomada de rotas.

O aumento de voos trouxe outro efeito direto: mais carga aérea. No Galeão, 85% das cargas internacionais viajam no porão das aeronaves de passageiros que operam as rotas de longo curso. Em 2024, o transporte de cargas pelo terminal cresceu quase 50%. Só as importações somaram US$ 13,1 bilhões, o terceiro recorde anual consecutivo.

Parte desse avanço está ligada à agilidade na liberação de mercadorias. Segundo a Federação das Indústrias do Estado do Rio de Janeiro (Firjan), o tempo médio de desembaraço é de 31 horas, um dos menores do país. Essa rapidez tem atraído especialmente setores que dependem de frete rápido e de alto valor agregado, como a indústria farmacêutica e fornecedores de tecnologia. De acordo com o Diagnóstico do Comércio Exterior do Estado do Rio (2023), o modal aéreo é a opção de cerca de 40% das empresas fluminenses em operações de importação e exportação.

Para o especialista em aviação Tarcisio Gargioni, um dos fundadores da companhia aérea Gol, o novo momento do Galeão sustenta o ciclo de expansão esperado para o aeroporto. O ponto de virada, diz ele, foi a resolução do Conselho Nacional de Aviação Civil (Conac) que limitou o fluxo no Santos Dumont para redistribuir o tráfego aéreo na cidade. Desde então, o número de voos mensais no Galeão mais que dobrou, ultrapassou a marca de 10 mil no fim de 2024 e encerra este ano com mais de 11 mil operações mensais.

“O aeroporto tem infraestrutura capaz de se tornar um hub internacional, mas isso depende do comportamento da demanda, que está vinculado ao desenvolvimento econômico do país em relação aos mercados internacionais”, avalia Tarcisio Gargioni.

O terminal entra agora em uma nova fase, após a repactuação do contrato entre a RioGaleão e o governo federal. O acordo prevê a saída da Infraero, que detém 49% da concessionária, abrindo caminho para uma nova composição societária. Também ficou definida a realização de um leilão simplificado, com lance mínimo de R$ 932 milhões, até 31 de março de 2026.

Outro ponto sensível foi a mudança na lógica de pagamento: a outorga fixa de R$ 1 bilhão por ano foi substituída por um modelo variável, de 20% sobre a receita bruta. O gatilho que obrigava a construção de uma terceira pista também foi retirado, reduzindo o peso financeiro e regulatório sobre a operação.

Paralelamente, o plano federal prevê o fim gradual das restrições operacionais no Santos Dumont. A ideia é que os dois aeroportos sejam usados de forma complementar. “É importante que ambos os aeroportos, dentro de seus perfis e características, sejam otimizados, atendendo plenamente às respectivas demandas para garantir um sistema mais eficiente no Estado”, afirma Gargioni.

Procurada, a concessionária RioGaleão preferiu não comentar. Enquanto isso, o terminal segue testando, na prática, o papel de hub internacional que os números começam a indicar: mais passageiros, mais carga e um contrato redesenhado para segurar o fôlego dessa nova fase.

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