
O ex-governador do Rio Anthony Garotinho (Republicanos) acusou, nesta terça-feira (17), o governador Cláudio Castro (PL) de determinar a desmobilização da equipe de segurança a que ele tem direito por ter ocupado o Palácio Guanabara. Segundo Garotinho, a ordem foi para que todos os agentes retornassem imediatamente aos seus batalhões de origem.
A decisão, afirma o ex-governador, ocorreu cerca de dois meses após ele ter prestado depoimento na CPI do Crime Organizado, no Senado, quando fez uma série de denúncias de corrupção contra a atual gestão estadual.
Em vídeo de quase três minutos publicado em sua conta no Instagram, Garotinho elevou o tom: “Se acontecer algo comigo, o responsável tem nome e sobrenome: Cláudio Castro”.
Retirada em meio ao Carnaval
De acordo com Garotinho, a determinação para desmobilizar sua equipe foi comunicada em plena terça-feira de Carnaval. Ele sustenta que não utiliza a segurança “por brincadeira” e relembrou ter sido vítima de agressão quando esteve preso em Benfica, há três anos.
O ex-governador afirmou que, após seu depoimento em Brasília, parlamentares da CPI enviaram ofício ao governo do estado solicitando reforço na segurança dele e de seus familiares. O pedido teria sido subscrito pelo presidente e pelo relator da comissão, o senador Alessandro Vieira (MDB/SE).
“Qual o interesse do governador, neste momento em que venho fazendo denúncias graves contra grupos de extermínio, milícias, organizações criminosas e corruptos infiltrados em várias esferas do governo, de me deixar sem proteção?”, questionou.
Sem a estrutura oficial, Garotinho disse ter recorrido a amigos para montar uma equipe privada de segurança, a fim de evitar que ele e a família ficassem “totalmente desprotegidos”.
As acusações na CPI
No depoimento à CPI do Crime Organizado, realizado em 16 de dezembro do ano passado, Garotinho afirmou que Cláudio Castro seria responsável “pelo maior esquema de corrupção já vivenciado no estado do Rio de Janeiro”.
Segundo o ex-governador, o suposto esquema estaria concentrado nas secretarias estaduais. “A captura do dinheiro acontece dentro das secretarias”, declarou à comissão.
Ele afirmou ainda que a engrenagem não se limitaria a contratos administrativos tradicionais, mas envolveria mecanismos como concessão de incentivos fiscais, autorizações administrativas e negócios regulados pelo estado. Citou, como exemplo, a suposta cobrança de propina para a instalação de empreendimentos.
“Para colocar um posto de gás no Rio de Janeiro, tem que pagar R$ 500 mil. Se não pagar, não autoriza, não tem licença”, afirmou na ocasião, apontando o que classificou como modelo de “corrupção institucionalizada”.
Garotinho comparou a atual gestão ao período do ex-governador Sérgio Cabral, preso e condenado em desdobramentos da Operação Lava-Jato. Segundo ele, o quadro atual seria “ainda mais grave”, mesmo sem grandes eventos ou obras de grande porte como as que marcaram o ciclo da Copa do Mundo e das Olimpíadas no estado.
Clima de tensão política
Garotinho, que sinaliza intenção de se lançar pré-candidato ao governo do Estado, afirmou que já denunciou policiais e integrantes de organizações criminosas ao longo dos últimos anos, o que, segundo ele, teria gerado inimizades.
No vídeo divulgado nas redes sociais, voltou a responsabilizar diretamente o governador por qualquer eventual ataque contra ele ou seus familiares.
A reportagem procurou a assessoria de imprensa de Cláudio Castro para uma resposta às acusações, mas não obteve retorno até a publicação deste texto.