quinta-feira, 16 de abril de 2026 - 6:45

Hugo Costa: A Avenida Brasil e a cidade que sustenta o cartão-postal

Foto da inauguração da Avenida Brasil

Em 22 de fevereiro de 2026, a avenida mais importante da cidade comemorou seu aniversário, embora a data tenha sido ofuscada pela coincidência com o último dia de desfiles na “Avenida do Samba” (Sambódromo da Marquês de Sapucaí). A Avenida Brasil, cuja construção teve início em 1941, foi inaugurada em 1946 pelo presidente Eurico Gaspar Dutra, conectando a Avenida Rodrigues Alves à Rodovia Washington Luís. Nascia ali o eixo que redefiniria a geografia econômica e humana da cidade.

Em seus quase 80 anos, a Avenida Brasil deixou de ser apenas uma via expressa para se tornar a espinha dorsal do Rio de Janeiro real. Estima-se que quase metade dos cariocas vivam em bairros cortados ou margeados por esta avenida. A ela se somam milhares de moradores da Baixada Fluminense que diariamente dependem deste corredor para trabalhar, produzir e sustentar a dinâmica econômica da capital.

Mais do que transportar pessoas, a Avenida Brasil transporta a própria cidade. Por ela passa a maior parte das mercadorias consumidas e produzidas no município. Ainda assim, sua relevância raramente ocupa o imaginário coletivo carioca com a mesma intensidade que as paisagens litorâneas ou os cartões postais internacionalmente consagrados.

O Rio que se projeta para o mundo é o das praias, das montanhas e do espetáculo. É o Rio visto a partir da orla. Mas existe outro Rio, menos fotografado e mais estrutural. Um Rio que não vive de contemplação, mas de circulação. Curiosamente, a própria Avenida Brasil já foi parte do cenário marítimo da cidade, antes que os aterros sucessivos a afastassem do litoral e, simbolicamente, do imaginário.

Dados recentes, publicados aqui no DIÁRIO DO RIO, mostram que o Carnaval gerou cerca de 240 milhões de reais em arrecadação de ISS em fevereiro de 2025, frente a um gasto público aproximado de 100 milhões com o evento. Trata-se de um resultado relevante, mas que corresponde a cerca de 1,6% da arrecadação anual do imposto.

Os 98,4% restantes não nascem do espetáculo, mas do funcionamento cotidiano da cidade — e é impossível dissociar esse funcionamento da infraestrutura logística que a sustenta, cujo principal eixo é a Avenida Brasil. Recentemente, ouvi que a melhor forma de conhecer o Rio é pousar no Aeroporto Santos Dumont e seguir pelas vias litorâneas da Zona Sul e da Barra da Tijuca, enquanto a pior seria chegar pelo Aeroporto Internacional Tom Jobim e percorrer a Avenida Brasil. Essa percepção revela mais do que uma preferência estética — revela uma hierarquia simbólica.

Porque, na realidade, é o “de Janeiro” que sustenta o “Rio”. É na Avenida Brasil que circula a força de trabalho, a produção, a logística e a base econômica que tornam possível a existência da cidade que se exibe ao mundo. O Rio dos cartões postais é, em grande medida, uma consequência do Rio que se move em silêncio ao longo de seus 58 quilômetros mais essenciais. Ignorar a Avenida Brasil é ignorar a própria estrutura que mantém o Rio de Janeiro de pé.

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