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Justiça mantém leilão de prédio do Grupo Sendas em Botafogo e disputa com Prefeitura segue para segunda instância

O imóvel pertence ao Grupo Sendas e foi desapropriado pelo município por meio de hasta pública — Foto: Reprodução/Google Maps

A Justiça do Rio manteve a realização do leilão do prédio do Grupo Sendas, em Botafogo, ao negar o pedido de liminar que tentava suspender a venda do imóvel localizado na Rua Barão de Itambi, número 50. A decisão foi proferida pela 14ª Vara da Fazenda Pública e mantém a disputa judicial em torno da tentativa da Prefeitura de desapropriar o edifício.

O leilão está previsto para o próximo dia 28 e segue autorizado após entendimento do juízo de que não havia elementos suficientes para interromper o processo neste momento. Na decisão, o magistrado destacou a presunção de legalidade dos atos administrativos e os limites da atuação do Judiciário na interferência de políticas públicas conduzidas pelo Executivo.

O caso se arrasta desde março, quando a Prefeitura voltou a avançar com a proposta de desapropriação do imóvel sob a justificativa de destinação de interesse público. A iniciativa já havia sido contestada pela empresa em ações anteriores, que chegaram a apontar irregularidades no decreto municipal. Em decisões pretéritas, outra vara da Fazenda Pública chegou a considerar nulo o ato, citando indícios de desvio de finalidade e possível direcionamento.

Agora, com a manutenção do leilão, o Grupo Sendas informou que pretende recorrer à segunda instância para tentar suspender novamente a venda. Em nota, a companhia afirmou que lamenta a decisão e sustenta que pontos centrais apresentados pela defesa não foram analisados de forma adequada.

A empresa argumenta ainda que o imóvel não está ocioso e mantém atividade econômica em funcionamento, com contratos vigentes no local. Para o grupo, a desapropriação de um bem em uso, sem justificativa objetiva de interesse público, gera insegurança jurídica e pode impactar o ambiente de negócios na cidade.

A Sendas também levanta questionamentos sobre o processo, apontando falta de clareza na destinação do imóvel e alegações de possível favorecimento a interesses privados. Segundo a companhia, haveria a existência de um projeto apresentado por uma entidade antes mesmo da realização do leilão.

No endereço em Botafogo, o prédio abriga atualmente uma academia. A Prefeitura, por sua vez, pretende assumir a área e vendê-la à Fundação Getulio Vargas (FGV), que projetaria a implantação de um centro de pesquisas em inteligência artificial. Moradores da região também contestam a desapropriação e defendem a manutenção de um supermercado no local, função que o imóvel já desempenhou por anos.

Com mais de seis décadas de atuação no Rio, o Grupo Sendas afirma já ter investido mais de R$ 600 milhões no município desde a abertura de sua primeira unidade, em 1966.

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